É preciso aprender a pensar, diz Nietzsche no final do século XIX, pensar é uma atividade que exige aquisição de uma técnica, assim como na dança. É preciso aprendê-la, exercitá-la, até adquirir a sofisticação de um mestre, de um bailarino. Nas escolas, e até mesmo nas Universidades, ninguém tem ideia do que isso seja.
Retomar a potência criativa do pensamento é o alvo, resgatar o prazer de ver uma questão a partir de diferentes perspectivas, de olhá-la cuidadosamente, perceber o que manifesta e o que oculta, onde se desdobra, antes de emitir um valor. Em vez disso, como franco-atiradores, lançamos juízos rasos e maniqueístas sobre o mundo, o outro, nós mesmos, a vida, e nos tornamos as maiores vítimas destas avaliações.
A função do
pensamento deve ser sempre afirmar a vida, potencializá-la, por isso a
vida deve ser o único critério para a aquisição de conceitos e valores:
que importância este saber, este conteúdo tem para a vida, de que modo
nos faz viver melhor?
Trechos do livro “O Homem que sabe- Do homo sapiens à crítica da razão” de Viviane Mosé. Título: Edgar Morin
Trechos do livro “O Homem que sabe- Do homo sapiens à crítica da razão” de Viviane Mosé. Título: Edgar Morin

Engraçado calhar de ficar de frente para esse texto, justamente porque tive a mesma impressão durante a semana. Quatro primeiros dias de aula do terceiro período de comunicação fizeram eu retomar a visão de mundo ampliada que a faculdade já me fez perceber e que se recolheu no fim do primeiro semestre. Conhecimento foi a palavra-chave das imagens que invadiram meus pensamentos. Automaticamente comparei meu "antes e depois", fazendo valer a PUC como critério. Constatei uma crescente postura filosófica, progressivamente abandonando as respostas infundadas cuspidas e passando a elaborar outras mais renovadas e periféricas. Venho aprendendo a avaliar as entrelinhas e pormenores, que reverberam no explícito. Exercitar o pensamento colabora para afeiçoar a vida e interferir no mundo.
ResponderExcluirBem-vindo, Hugo.
Excluir=)
Hey! o/
ExcluirPois é. Uma vez vi uma palestra de um professor de física que ensinava como devíamos estudar. Estudar é uma prática que devia ser diária, um hábito. Muitas vezes, saímos do ensino médio e entramos na faculdade sem saber estudar. No vídeo, o professor explicava que temos que estudar todos os dias pois assim nosso cérebro consegue reter a informação por mais tempo e não acabará depois que fizermos a prova. Essa máquina que temos no crânio é magnífica e contém um armazenamento de memória muito melhor que muitos computadores juntos e estudando um pouco a cada dia podemos armazenar para sempre tudo o que nos ensinam ! Só que estudar na véspera na prova só vai nos fazer passar na prova, mas não necessariamente adquirir o conhecimento para o resto da vida. Muitos médicos na pós-graduação não sabiam estudar também, portanto há necessidade de ser um hábito, criar uma técnica própria para desenvolvermos essa propriedade de realmente APRENDER em nós.
ResponderExcluirAo ler um texto de Pierre Bourdieu ("Sobre a televisão"), encontrei uma noção bem interessante. O autor fala em fast-thinking e no consumo fast food de cultura. Para Pierre, o pensamento, a reflexão, exige tempo, um tempo que a mídia atual, que a nossa sociedade, não nos concede. A correria do cotidiano e a pressa que rege nossas vidas é contrária ao ato de pensar.
ResponderExcluirParece uma noção simples, e talvez seja mesmo, mas ao parar para ler esse texto e compreender as mensagens que ele trazia, me vieram consciências que antes não tinha.
A pausa – e a leitura – me fizeram de fato entender/perceber um processo do qual eu faço parte, mesmo que inconscientemente. Eu faço parte desse ciclo: durmo ansiosa para acordar no dia seguinte, corro para ir ao estágio, corro para a faculdade, almoço no caminho, para não perder tempo, mal sentindo o gosto do que como.
Nesse feriado, me dei uma folga, que na verdade não deveria ter. Me refugiei em Praia Seca, um lugar que pra mim significa tranquilidade. Mas quando voltar para casa, tudo volta ao normal, o ritmo ainda mais rápido, com o acúmulo de coisas que decidi (tentar) esquecer durante alguns dias.
Por enquanto, estou apenas tentando curtir essa oportunidade de "pensar", ao invés de apenas "me preocupar".