O homem não é só o inato; é também o adquirido.
Goethe
Certamente você já ouviu dizer que um homem é o que ele come. Ou o que ele veste. Ou o que ele tem. Ou aquilo que ele sei-lá-o-que, enfim. Mas, sem o menor medo de errar, posso afirmar que você é o que você entende do mundo que o cerca. Explico: quantas vezes você já se perguntou sobre as razões que o fazem, ou a fazem, entender ou gostar de uma variedade de coisas diferentemente de qualquer outra pessoa?
De que modo, no final das contas, você permite que o mundo se comunique com você? Quais portas da sua mente ou do seu coração você deixa abertas às novas experiências e sensações? Há duas formas fundamentais de você perceber o mundo e se relacionar com ele: a intelecção e a emoção. Vejamos o parágrafo acima de outra forma.
Sua intelecção, ou capacidade de aprender, é a primeira porta aberta para o mundo. Através de sua habilidade inata de se comunicar, a informação chega até você e, à medida da amplitude de seu conhecimento (sua base de dados) e principalmente desta sua capacidade (inteligência) de inter-relacionar esta nova informação com os dados previamente obtidos, melhor você interpreta os acontecimentos, o mundo, enfim. Dentro da intelecção podemos incluir ainda a moral, isto é, seu conjunto de valores pessoais, não importando, aqui, se estes seus valores foram herdados ou resultado de conclusões próprias.
Depois, a emoção e tudo o que isto possa implicar do ponto de vista da psicologia. E o que mais será a emoção – dentro do escopo da comunicação, que é o propósito deste livro – senão a mais imediata maneira de fazer transparecer sua reação e consequente interpretação a um estímulo, a uma dada informação?
Na ponta final do processo, temos a estética. Estamos habituados a entender estética apenas como uma filosofia do belo, ou filosofia da beleza. Porém, podemos perfeitamente entendê-la de modo ampliado, como sendo uma atitude diante da vida.
Daí, nada mais fácil que entendermos a mecânica que faz as tais duas portas funcionarem harmoniosamente, para que eu e você possamos perceber a comunicação que o mundo faz: a intelecção se associa à emoção e nos presenteia com o senso estético. Ou seja: informação + interpretação = atitude.
Se você prestar atenção, qualquer informação que lhe chegue, terá passado por estas portas. São filtros. Sendo claro que se trata de um processo que se dá de acordo com o conteúdo que sua intelecção conseguiu absorver até o presente momento – e que sua emoção ajudará a transformar em senso estético – nada mais evidente do que sermos diferentes um do outro, pois nossas capacidades de aprender, interpretar, sentir e reagir são igualmente diferentes.
Por estas simples razões – da mesma forma que comunicação não é o que você diz, mas aquilo que o outro entende – você também será resultado da forma pela qual interpreta o que o mundo diz para você. E eu serei a forma pela qual interpretarei o que o mundo diz para mim. E já que nossas bagagens e histórias de vida são necessariamente diferentes, somos todos também necessariamente diferentes entre nós.
Em português claro, você é exatamente aquilo que você entende sobre este mundo (assim como este livro ou um objeto qualquer serão bons ou ruins, feios ou bonitos, isto ou aquilo, de acordo com seu entendimento). O que me leva a uma conclusão mais do que óbvia: quanto mais e melhor você se comunicar, isto é, quanto mais você estiver aberto ao mundo através desta sua incrível capacidade de processar e comparar livremente informações de toda ordem, mais isto deverá aprimorá-lo. E, sem dúvida, facilitar que você também contribua para um mundo melhor.
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