terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Perdão, Aaron Swartz.

– Eu sinto fortemente que não é suficiente simplesmente viver no mundo como ele é e fazer o que os adultos disseram que você deve fazer, ou o que a sociedade diz que você deve fazer. Eu acredito que você deve sempre estar se questionando. Eu levo muito a sério essa atitude científica de que tudo o que você aprende é provisório, tudo é aberto ao questionamento e à refutação. O mesmo se aplica à sociedade. Eu cresci e através de um lento processo percebi que o discurso de que nada pode ser mudado e que as coisas são naturalmente como são é falso. Elas não são naturais. As coisas podem ser mudadas. E mais importante: há coisas que são erradas e devem ser mudadas. Depois que percebi isso, não havia como voltar atrás. Eu não poderia me enganar e dizer: “Ok, agora vou trabalhar para uma empresa”. Depois que percebi que havia problemas fundamentais que eu poderia enfrentar, eu não podia mais esquecer disso.

Aaron Swartz tinha 22 anos quando explicou por que fazia o que fazia, era quem era. Aos 26, ele está morto. Foi encontrado enforcado em seu apartamento de Nova York na sexta-feira, 11 de janeiro. Provável suicídio. Talvez a maioria não o conheça, mas Aaron está presente na nossa vida cotidiana há bastante tempo. Desde os 14 anos, ele trabalha criando ferramentas, programas e organizações na internet. E, de algum modo, em algum momento, quem usa a rede foi beneficiado por algo que ele fez. Isso significa que, aos 26 anos, Aaron já tinha trabalhado praticamente metade da sua vida. E, nesta metade ele participou da criação do RSS (que nos permite receber atualizações do conteúdo de sites e blogs de que gostamos), do Reddit (plataforma aberta em que se pode votar em histórias e discussões importantes), e do Creative Commons (licença que libera conteúdos sem a cobrança de alguns direitos por parte dos autores). Mas não só. A grande luta de Aaron, como fica explícito no depoimento que abre esta coluna, era uma luta política: ele queria mudar o mundo e acreditava que era possível. (...)
Texto completo de Eliane Brum aqui. Dica da professora Cláudia Pereira, da PUC-Rio.

3 comentários:

  1. Tneho enorme dificuldade de aceitar esse padrão de vida que nos foi imposto, mas se me perguntarem como a vida deveria ser vivida eu não saberia responder, isso é tudo o que conhecemos, não consigo imaginar uma forma de vida diferente dessa. Tudo o que é diferente, desconhecdo paralisa, desconforta, não saber como proceder, o que esperar é angustiante, e então por acomodação ficamos na inércia e pior insatisfeitos com isso mas assustados demais para fazer algo a respeito.

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  2. Depois de uma semana, consigo comentar aqui haha. Geralmente acho esses textos longos sobre pessoas que morreram uma chatice e passo batido, mas esse tinha dois parágrafos então voilà. Depois de lidos, vi que tinham mais de 8 mil parágrafos, mas segui. Gostei da história.

    Eu partilho da opinião dele, acho que a informação deve ser assegurada a todos, ainda mais algo que vai acrescer no intelecto das pessoas. Claro, se a pirataria (afinal, o que ele fazia, pelo que eu entendi, é pirataria) existir, quem produz o conteúdo não vai ganhar dinheiro e morrer de fome. Será?

    Penso da seguinte maneira: se eu fosse um escritor, músico, pintor etc, a pirataria faria com que o meu trabalho fosse divulgado, o que me geraria fama e com ela mais renda. Até porque, sempre tem gente que gosta de ter o objeto original em mãos. Eu, por exemplo, prefiro muito mais ter um livro em mãos do que no computador, diferentemente de músicas.

    Ou seja, se a pessoa não for famosa, a pirataria gera publicidade; se a pessoa for famosa, ela vai ter uma renda reduzida, mas que dá para viver (e bem). O triste é que a maioria quer mais, mais e muito mais. Se eu tivesse uma propriedade intelectual minha, só minha, não teria problema nenhum que outros vissem sem pagar. Que a humanidade cresça e fique inteligente!

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  3. Triste ver como pessoas que, talvez por terem os olhos tão abertos, não conseguem sobreviver a essa loucura que é o mundo que vivemos. As vezes (bem as vezes) chego a acreditar que aqueles que fecham os olhos pra tudo ao nosso redor conseguem ser mais felizes. Porém até que ponto vale a pena essa felicidade quase cúmplice desses absurdos que vemos por ai? Não acho que temos que viver numa eterna amargura, afinal, o mundo é lindo! Se soubermos achar a nossa forma de viver plena, buscando sempre o conhecimento interior, a probabilidade de conseguirmos trilhar o caminho certo é enorme. Mas, apesar disso, não devemos deixar essas questões que assombram a nossa sociedade de lado, devemos estar sempre buscando a mudança.

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