Tudo que se dá à leitura é texto. Afinar o olhar e saber ler o mundo é poder agir sobre ele, tecendo e destecendo a vida, assumindo a autoria de sua história. Inspirado no poema Ler o Mundo, de Afonso Romano de Santanna (1989), o portal nasceu em 2007 com a missão de mudar a perspectiva do olhar dos meus alunos de Comunicação Social e de Artes e Design da PUC-Rio. E transformou-se numa prática de leitura e de autoria fundamentada na interlocução e na parceria. luizfavilla@gmail.com
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Somos mentirosos.
Provocante, instrutiva e encantadora entrevista com o escritor Andrew Keen sobre o conteúdo produzido na internet. Disponível aqui.
Concordo quando o autor diz que a internet está matando a nossa cultura. As novas tecnologias são cruciais nesse momento de mudança de paradigma que vivemos e eu não vejo isso de forma negativa, nem positiva. Acho que a grande questão é analisar as conseqüências que as mudanças proporcionadas pela era digital trarão Assim como o entrevistado, acredito que as pessoas compartilham porque querem ser aceitas socialmente. Além disso, também concordo com o pensamento de que julgamos ser muito mais importante do que realmente somos. Acreditamos que nossa opinião sobre tudo é válida e que todo mundo quer ouvi-la. A facilidade de acesso à comunicação poderia ser utilizada para tentar ter uma visão mais ampla, mais global do mundo. Mas também pode ser usada para simplesmente se fechar cada vez mais, compartilhando somente aparências, e não essências. Dessa forma, a preocupação cada vez maior com a aparência poderia gerar pessoas que não “são”, mas apenas “aparentam ser”. O nosso mundo antes da internet já era assim. O meu grande questionamento é: a internet veio para reforçar essa condição ou para mudá-la? Tendo a ser otimista em relação a isso. Acredito que um dia começaremos a nos importar mais com a questão proposta por Sherry Turkle quando ela diz que temos que procurar “como nos conectar de formas que nos alimentem, que nos melhorem”. Assim como acontece com a televisão, acredito que a grande diferença da internet não é a sua essência, mas sim como a usamos. Podemos utilizá-la para ter acesso a informações úteis ou somente para ficar cada vez mais alienados e presos ao superficial. Quanto ao facebook, não concordo com a idéia de que ele seja pago. Acho que o fato de qualquer um poder entrar ali e dizer o que quiser é o que torna o espaço mais interessante. Mas acho que é necessário redimensionar a importância que as pessoas dão a essa rede social. O próprio nome “facebook” já diz muito sobre qual é a sua verdadeira função. Acredito que seja, basicamente, de mostrar aquilo que nós gostaríamos de ser. É simplesmente a nossa embalagem, a primeira impressão que passamos. Nossa página no facebook não é a nossa essência, apesar de tentar expor um pouco dela. Eu, particularmente, sou viciada em ler o meu feed. Mas acredito que faça isso mais por curiosidade de saber o que as pessoas querem falar do que por acreditar que ali estou realmente conhecendo as pessoas. Muita gente, às vezes sem querer, julga conhecer o outro pelo o que ele posta no facebook. Acredito que esse seja um equívoco gigante, já que como o próprio entrevistado diz, o que nós postamos ali são mentiras. São simplesmente a nossa visão distorcida sobre nós mesmos ou o que gostaríamos de ser. Essa entrevista é muito interessante, novamente, não sei se o meu comentário faz jus a ela. Há muitas outras coisas que Andrew Keen fala além das ressaltadas por mim que podem gerar reflexões e discussões riquíssimas.
Concordo quando o autor diz que a internet está matando a nossa cultura. As novas tecnologias são cruciais nesse momento de mudança de paradigma que vivemos e eu não vejo isso de forma negativa, nem positiva. Acho que a grande questão é analisar as conseqüências que as mudanças proporcionadas pela era digital trarão
ResponderExcluirAssim como o entrevistado, acredito que as pessoas compartilham porque querem ser aceitas socialmente. Além disso, também concordo com o pensamento de que julgamos ser muito mais importante do que realmente somos. Acreditamos que nossa opinião sobre tudo é válida e que todo mundo quer ouvi-la.
A facilidade de acesso à comunicação poderia ser utilizada para tentar ter uma visão mais ampla, mais global do mundo. Mas também pode ser usada para simplesmente se fechar cada vez mais, compartilhando somente aparências, e não essências. Dessa forma, a preocupação cada vez maior com a aparência poderia gerar pessoas que não “são”, mas apenas “aparentam ser”. O nosso mundo antes da internet já era assim. O meu grande questionamento é: a internet veio para reforçar essa condição ou para mudá-la?
Tendo a ser otimista em relação a isso. Acredito que um dia começaremos a nos importar mais com a questão proposta por Sherry Turkle quando ela diz que temos que procurar “como nos conectar de formas que nos alimentem, que nos melhorem”.
Assim como acontece com a televisão, acredito que a grande diferença da internet não é a sua essência, mas sim como a usamos. Podemos utilizá-la para ter acesso a informações úteis ou somente para ficar cada vez mais alienados e presos ao superficial.
Quanto ao facebook, não concordo com a idéia de que ele seja pago. Acho que o fato de qualquer um poder entrar ali e dizer o que quiser é o que torna o espaço mais interessante. Mas acho que é necessário redimensionar a importância que as pessoas dão a essa rede social. O próprio nome “facebook” já diz muito sobre qual é a sua verdadeira função. Acredito que seja, basicamente, de mostrar aquilo que nós gostaríamos de ser. É simplesmente a nossa embalagem, a primeira impressão que passamos. Nossa página no facebook não é a nossa essência, apesar de tentar expor um pouco dela. Eu, particularmente, sou viciada em ler o meu feed. Mas acredito que faça isso mais por curiosidade de saber o que as pessoas querem falar do que por acreditar que ali estou realmente conhecendo as pessoas. Muita gente, às vezes sem querer, julga conhecer o outro pelo o que ele posta no facebook. Acredito que esse seja um equívoco gigante, já que como o próprio entrevistado diz, o que nós postamos ali são mentiras. São simplesmente a nossa visão distorcida sobre nós mesmos ou o que gostaríamos de ser.
Essa entrevista é muito interessante, novamente, não sei se o meu comentário faz jus a ela. Há muitas outras coisas que Andrew Keen fala além das ressaltadas por mim que podem gerar reflexões e discussões riquíssimas.