"Morte e Vida Severina" é um livro do escritor brasileiro João Cabral de Melo Neto. É um poema dramático, que relata a dura trajetória de um migrante nordestino em busca de uma vida mais fácil e favorável no litoral.
"...E não há melhor resposta que o espetáculo da vida: vê-la desfiar seu fio, que também se chama vida, ver a fábrica que ela mesma, teimosamente, se fabrica, vê-la brotar como há pouco em nova vida explodida; mesmo quando é assim pequena a explosão, como a ocorrida; mesmo quando é uma explosão como a de há pouco, franzina; mesmo quando é a explosão de uma vida severina."
O filme é uma versão da obra prima adaptada pelo cartunista Miguel Falcão em 3D preto e branco.
Esse filme ficou realmente muito bom. Consegue captar a mensagem do livro de forma fiel como pouco se vê. O que mais me chamou a atenção foram as expressões dos personagens - principalmente seus "olhos". Se os olhos são a janela da alma, nesse filme foi demonstrado o quão vazia uma alma pode ser. Vazia de esperança, de expectativa, de felicidade. Não à toa, os rostos são magros e ossudos, assim como a tal serra em que Severino vivia.
ResponderExcluirOutra parte emblemática é a marcha do exército de pás, que fazem as vezes de carrasca dos Severinos. São as mesmas pás que cavam a "cova medida" dos retirantes. É interessante ver como a terra, desejo maior de qualquer retirante, só é conquista após sua morte, e as pás - que muito se assemelham com a fisionomia de Severino - é quem dá a terra e "planta" o homem. A morte, nesse caso, é a carta de alforria que liberta dos grilhões da vida Severina. A cova é a mesma que protege do sol e da chuva e permite que o homem tenha, enfim, sua terra.
Realmente, esse filme cumpre a missão de transportar a dramaticidade do texto em imagens. Muito bom!