quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Como é o lugar quando ninguém passa por ele?


Existem as coisas sem ser vistas? O interior do apartamento desabitado, a pinça esquecida na gaveta, os eucaliptos à noite no caminho três vezes deserto, a formiga sob a terra no domingo, os mortos, um minuto depois de sepultados, nós, sozinhos no quarto sem espelho?

Que fazem, que são as coisas não testadas como coisas, minerais não descobertos - e algum dia o serão? Estrela não pensada, palavra rascunhada no papel que nunca ninguém leu?

Existe, existe o mundo apenas pelo olhar que o cria e lhe confere espacialidade? Concretitude das coisas: falácia de olho enganador, ouvido falso, mão que brinca de pegar o não e pegando-o concede-lhe a ilusão de forma e, ilusão maior, a de sentido? Ou tudo vige planturosamente, à revelia de nossa judicial inquirição e esta apenas existe consentida pelos elementos inquiridos?(...)
Carlos Drummond de Andrade - A suposta existência, 1980 - Da série vale a pena ler de novo.
Foto: David Doubilet

26 comentários:

  1. A minha dúvida não está no que não vemos, mas, sim, no porque que não conseguimos enxergar. Não falo da estrela não pensada, nem no mineral, ainda, não descoberto. Falo do pensamento dos outros. Do sentimento dos outros. De que adianta a ciência, que tanto descobre, que tudo busca, se o homem, cientista, não descobre a fórmula da preocupação, da compreensão? Precisamos ver além do nosso ENORME umbigo.

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    1. Dá-lhe JK. O eu é feito de pedaços do outro, lembra?
      =)

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  2. Afinal, o que significa ser real?


    É preciso existir ou basta apenas imaginar para que se torne real? É preciso ver com os próprios olhos, tocar com as próprias mãos, sentir que é concreto? Sentir se é leve ou pesado, se é belo ou feio, se é eterno ou momentâneo? Saber diferenciar, saber reconhecer, saber idealizar?
    Afinal, o que É ser real?


    ...

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    1. É ser-se, Julia. De todas as maneiras. Senhora de seu destino.
      =)

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  3. Matheus Feliciano 17hquarta-feira, outubro 10, 2012

    Era exatamente a pergunta que eu me fazia quando era criança: "A luz da geladeira continua acesa quando eu fecho a porta?". Nunca conseguia descobrir esse grande mistério porque quando eu abria, uma frechinha pequenininha que fosse, a luz acendia. Que mundo é esse que não vejo? A verdade é que o mundo é 99,999% de coisas que eu não vejo. O mundo é muito maior que eu posso perceber. Ainda que eu tente, por uma vida inteira, ver tudo; seria em vão; pois tudo muda, a todo momento. Melhor do que conseguir conhecer o mundo inteiro, é conseguir se conhecer. Isso, pouquíssimos conseguem. Olhar para si e não ter dúvidas de nada, isso é difícil. Quem é este que bate nas teclas do teclado neste instante? Não o vejo; ainda que olhe num espelho, sempre me surpreendo com a clássica pergunta: "Eu sou assim?"; ou quando ouço a minha voz numa gravação:"Essa é a minha voz?"; ou quando leio algo que eu escrevi ha dois anos...."Esse sou eu?". É preciso olhar para esse ser que exite dentro de nós... essa luzinha que apaga, ou não quando a porta da nossa alma se fecha.

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    1. O tempo não existe, Matheus. Assim que vc acabar de ler esse comentário ele será passado. Foi-se. E o divertido é estar preparado para o todos os ventos futuros.
      =)

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  4. E todas as vezes que deixamos de ser sensibilizados? Todas aquelas coisas que nos escapam, perpassam ao nosso olhar e existência.
    Todos os lugares e cantos que não pisamos, como seria se tivéssemos pisado, se ti-tivéssemos passados por essa experiência? Com certeza não seríamos os mesmos.
    Mas e se vivêssemos pensando em todas as possibilidades? E o agora?
    Esse papo me lembrou uma música do John Lennon - Beautiful Boy
    "(...)Life is what happens to you while you're busy making other plans (...)"

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    1. E se, Patricia. O Lennon é o cara.
      Manter-se leitor do mundo, atento aos textos invisíveis.
      Sempre. Muito. E se divertir com isso tudo.
      =)

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  5. Clara Goldensteindomingo, outubro 14, 2012

    Entrando no blog cliquei logo no “quadradinho” desse texto porque a foto me chamou a atenção. Achei bonita, mas ao mesmo tempo ela me lembrou uma situação. Eu adoro o mar. Ele realmente me encanta. Mas desde pequena tenho agonia de nadar até o fundo e não saber o que tem em baixo de mim. Quando eu sinto um peixinho passando pelo meu pé, então. E mesmo antes de ler esse – lindo – texto, eu pensei um pouco naquilo que eu acho que ele quis dizer. A gente insiste em ter receio àquilo que não conhecemos. E por causa disso, o desconhecido muitas vezes fica intocável. Nos desligamos e é como se as coisas que não foram vistas simplesmente não existissem.

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  6. Bateu uma saudades de vir aqui e o primeiro post que eu abro é esse, que fala de afinar o olhar, prestar mais atenção nas pequenas coisas que estão ao nosso redor.
    Hoje em dia, as pessoas são tão superficiais, tão indiferentes as pequenas coisas da vida que é exatamente isso: o olho que não vê, o ouvido que não escuta, as mãos que não pegam... Hoje muitas pessoas fazem as coisas por puro interesse. E a banda não pode tocar desse jeito. Tem tanta coisa maravilhosa lá fora.
    Se as pessoas fossem um pouco mais atenta as coisas, veriam que o mundo é tão simples e maravilhoso que elas largariam essa vida individual para poder compartilhar com os amigos.
    Beijos e saudades da sua aula, Favilla! :)

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  7. Quando eu era pequena também ficava intrigadíssima com a luz da geladeira, que nem o Matheus. E já me peguei pensando várias vezes: será tudo ilusão? Um grande "Show de Truman"? Será que as coisas só existem para mim e, quando eu bato a porta de um lugar, ele deixa de existir? Imagina...
    É estranho mesmo isso de a gente conhecer tão pouco de tudo que existe. Enquanto nós percebemos uma coisa, deixamos de perceber outra. E elas ficam lá, esperando serem descobertas... Ou talvez seja a gente que fique esperando o momento de descobrir essas pequenas coisas. Ou elas ficam lá, sem esperar, e a gente aqui, sem esperar, mas um dia nos esbarramos por acaso e tudo muda, de repente.

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  8. Me identifiquei com vários comentários acima e lendo-os percebi uma coisa... O medo de conhecer o novo é o que me faz acreditar que aquilo seja inexistente. Temos um péssimo hábito de achar que sabemos tudo, mas a verdade é outra! Na verdade nós não sabemos NADA! Temos uma visão, opinião sobre tudo, mas tem tantos outras formas de olhares, leituras que não percebemos e nesse detalhe, perdemos a informação por total. Ou então olhamos com um olhar de superioridade e não vemos como algo é realmente belo! Acredito que as pessoas acham que cada uma tem o seu próprio mundo, o seu próprio "Show de Truman", como disse a Juliana!

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  9. Não existe um lugar exatamente igual para duas pessoas, tudo depende do olhar, como julgamos e nos sentimos em relação ao lugar de acordo com nossas experiencias e pensamentos.

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  10. Pedro Antonio Guimarães - 17hterça-feira, outubro 30, 2012

    Ser senhor do seu destino. Ser chefe da tua vida. Ser motorista das tuas ações. Ser pedreiro do caminho. Construir, ser, fazer, agir, conhecer. Tudo é texto e principalmente tudo é verbo. E verbo significa ação, significa vida. E quando estamos no ritmo do verbo, estamos fazendo as coisas com a nossa alma. É ela que imortal, é ela que eterna. E são com os olhos, ouvido, boca dessa alma imortal que temos que perceber as coisas e mundo ao nosso redor. Com essa sensibilidade que todos citaram!

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  11. Engraçado que eu sempre me pego pensando nisso, mas acho que nunca havia comentado com ninguém e ninguém nunca tinha falado sobre esse assunto comigo. Todas essas coisas me intrigam, como é determinado espaço quando eu não estou, quando eu não vejo? Como é qualquer coisa quando eu não estou presenciando? Existem outras vidas, outras pessoas que eu nem sonho em conhecer, nesse momento eu to aqui escrevendo, mas um ônibus está passando na rua, levando vários passageiros e cada um com um meta, um destino, uma vida. Tem outra pessoa lá no Japão que deve estar acordando para começar seu novo dia. Minha amiga tá do outro lado do computador fazendo sei lá o que. Minha família que eu sempre convivi todos os dias está em casa, em Petrópolis sabe-se lá fazendo o que. Mas todas essas milhões de pessoas também estão fazendo outras coisas, outras ações, cada um tem sua vida. É estranho pensar nisso, não que eu seja tão individualista a ponto de acreditar só na minha vida, mas é engaçado e misterioso para pra pensar nisso, que enquanto eu to aqui o mundo não para, bilhões de outras coisas está acontecendo. Enfim, acho que viajei bem nesse meu comentário, não sei se me fiz entender, mas como eu disse antes as vezes prefiro nem tentar explicar algumas coisas da minha cabeça...

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  12. Também me identifiquei com vários comentários acima! Quantas vezes o "e se" tomou conta das minhas dúvidas? O que eu tenho aprendido é que é preciso arriscar, seguir o caminho que eu achar que é melhor. Acredito que parte do que eu sou hoje, se deve as minhas escolhas. A curiosidade também sempre esteve presente em mim! Eu acredito que ser curioso é algo que nos move, motiva, instiga. Querer saber cada vez mais, faz parte do homem! Vivemos em um mundo fascinante, quanto mais coisas eu sei sobre ele percebo o quanto a sua dimensão foge do nosso alcance, reconhecendo que na verdade sabemos pouco desse universo tão incrível do qual fazemos parte.

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  13. Como você pode falar que algo existe, se você nem ao menos o viu, nem tocou?

    Penso que o olhar e a vivência são os reais formadores de experiências. Algo só se torna real após nosso contato com esse objeto. Não podemos afirmar que alguém exista, ou que algum ideal realmente possa influenciar pessoas sem que vivenciamos tal coisa. Devemos passar pela experiência, andar por lugares, aprender com erros, acumular o máximo de conhecimento das coisas. Devemos viver o mundo e saber de tudo um pouco.

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  14. O que eu sempre paro para me perguntar é se existem coisas que estão aqui, ao nosso redor, mas que nos são invisíveis. Cheiros que não conseguimos sentir; superfícies intransponíveis; objetos, ou quem sabe até seres, que passam despercebidos por nossos cinco questionáveis sentidos.
    Se essas coisas, de fato, existirem, porém, em absolutamente nada, afetarem nossas vidas, elas existem para nós?
    Uma lenda fala que, quando as primeiras naus vindas da Europa começaram a se aproximar da America, os nativos não eram capazes de enxergá-las. Tudo que os índios conseguiam ver era uma estranha agitação na água do mar. Intrigados, porém incapazes de deduzirem por conta própria do que se tratava, decidiram chamar o índio mais sábio da tribo. Esse, por sua vez, sentou-se na areia e, durante horas, apenas encarou o horizonte, até que finalmente fosse capaz de enxergar as naus e de introduzi-las à percepção dos nativos menos "sábios".
    As coisas estão por aí. Elas existem, mas são desprovidas de significado enquanto não surja quem as interprete. Ou seja, elas apenas "são". Então chegamos nós, e as provemos de motivo, de razão para existir!
    Quando algo existe para nós é que realmente ganha sentido, e talvez seja apenas aí (agora cabe a tal interpretação) que essa coisa passa, de fato, a existir. Afinal, o que é a existência sem um sentido?
    Citando um trecho de "Assim Falou Zaratustra", quando o protagonista se dirige ao Sol:
    Que seria tua felicidade, ó grande astro, se não tivesses aqueles que iluminas?"
    Se não somos nós que fazemos com que as coisas, de fato, existam, elas ainda assim de nada serviriam sem a benção que é a interpretação humana!

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  15. Como é o mundo? O nosso país, nossa cidade, o quartinho dos fundos da nossa casa? Ninguém sabe. Detalhes, há os detalhes que fazem não só de um lugar, mas também as pessoas o todo que elas são, sem eles tudo seria incompleto. Detalhes esses que muitas vezes passam despercebidos, são menosprezados e tidos como indiferentes. Aí que tá. As vezes os detalhes fazem toda a diferença, e apenas leitores de mundo os enxergam. Esses são felizes pois conseguem ler através do sorriso de um palhaço a tristeza, atráves de uma árvore, a formiga carrendo sua folha e assim vai..

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  16. Pedro Vieira 15 -17 hrsquarta-feira, outubro 31, 2012

    Grande imagem a desse post,muito bonita, me encantou e fez com que eu abrisse.A imagem atraiu meu olhar e quando abri e li percebi que se tratava de olhar de uma forma diferente,não como todos olham,não como querem que você olhe, mas sim do jeito que você vê,do jeito que você quer ver.Tudo que você vê é único porque só você está vendo ,então tem que ser especial,notado,pensado.Vamos afinar nosso olhar.vamos ser nós mesmos e não deixarmos outros e outras opiniões interfirirem.Lembra que você é um individuo,tem sua opinião,sua visão de mundo e de vida.

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  17. O mundo que eu não enxergo simplesmente não existe. O que tem atrás de mim? Um grande nada, um breu. Não posso falar do que não vejo. É o desconhecido e invisível.
    Um objeto não tem cor alguma se a luz não incide sobre ele. Mas será que eu enxergo a mesma cor que você enxerga? O mundo se parece o mesmo para todos nós?
    Que graça teria o mundo se não pudesse ser descoberto a cada momento...Mundo não seria!
    Quem sou eu que você vê? Eu sou como eu me vejo no espelho.

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  18. Acho que o texto abre caminho pra outra pergunta: quem somos nós mesmos? Estamos sempre buscando nos ver com os olhos dos outros. Se passamos por um espelho ou um vidro com reflexo notável, paramos para nos ver, nos ajeitar e aí sim, voltamos a caminhar pela rua, ou a circular pela festa. Por que nos importamos tanto com a visão os outros sobre nós mesmos? Temos que nos satisfazer, e não ao outro. Se não gostarmos de nós, quem gostará? E isso leva à esse pensamento, do que será que tem em um lugar onde não há ninguém. Uma rua modifica sua movimentação enquanto todos estão dormindo, e o que será que acontece em cada apartamento, a cada janela com a luz acesa e que de repente apaga? O que será que está acontecendo nesse momento no mar? "Só sei que nada sei".

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  19. Se não me engano foi Kant quem disse que algo so existe se for visto, conhecido por alguém. Se tentarmos pensar em uma sala nunca vista, quem garante a existência dela? E mesmo que ela exista sem que ninguém a tenha visto, pra que serve algo nunca visto? o que lhe confere existência? O que eu acho mais interessante é como podemos transferir esse pensamento Kantiano das coisas tangíveis para o comportamento da sociedade hoje em dia. Precisamos ser vistos, precisamos de aprovação, e uma condição para confirmar nossa personalidade, hábitos, ideais.. Precisamos que alguém nos note para afirmar nossa existência.

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  20. João Pedro Fonseca Diassexta-feira, março 29, 2013

    Que fardo pesado esse do homem de estar condenado à sua percepção. Só conferimos existência ao que enxergamos e, concomitantemente, nunca conseguimos estabelecer um padrão à ela: estamos sujeitos ao ângulo, ao humor e, entre outros, ao mais temível fator – o tempo. Este último, que muitas vezes serve-nos para o bem, é implacável em nos mostrar constantemente que “tu estavas enganado, ó pá”!

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  21. Guilherme G. Carrapitoterça-feira, abril 23, 2013

    Lembro de um trecho de documentário que botava essa questão, sobre universos paralelos, se há uma realidade que não vemos... "Será que dentro desta travessa que o garçom traz sempre está a comida que pedi? Ou será que ela apenas se torna minha comida quando eu abro a travessa?". Acho que é essa curiosidade sobre o que nos é oculto, o que ainda não é sabido, na verdade, que faz com que o mundo evolua, com que descubramos as coisas novas, etc. Se não há uma ''outra realidade'', concreta em si, há, pelo menos as inesgotáveis realidades de nossas mentes, das quais o ser humano tira as ideias mais incríveis para por em prática - e assim o mundo se desenvolve.

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  22. Eu sempre me perguntei do que seriam as mais lindas cidades sem seus habitantes e visitantes. Mas acho que nossa visita por um lugar não interfere na sua beleza. A beleza não depende da nossa apreciação, talvez seja o inverso, nós dependemos dessa apreciação do que é naturalmente belo. Existe muito mais do que imaginamos, e tudo que existe independe da nossa ciência sobre. Porém temos essa impressão insistente de que as coisas ganham mais sentido quando passam pelo nosso olhar. Que egoísta, não?

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