(...) Somos apenas o nosso próprio território mental , o nosso entendimento
do mundo , entendimento
este que
qualifica e assim determina cada uma de nossas escolhas ,
de nossas decisões . Nosso
território mental
é o lugar onde
construímos e sustentamos a Justiça de nossas
ações . É assim
que ele
é criado historicamente. Ele é fruto da história das mentalidades ,
das maneiras de pensar
e agir no mundo ,
disseminadas, propagadas e multiplicadas pelas estruturas
de poder , pelos
sistemas de poder ,
mesmo que
estes sistemas
sejam, por exemplo ,
as redes nas quais
vivemos hoje . Quanto
mais o território
mental é criado
pela própria
pessoa , mais
esta pessoa é de fato
livre . Se observarmos com sinceridade
e acuidade , veremos que
a maior parte
de nós mesmos
não é livre .
Quantas vezes fazemos o contrário do que
dizemos? Quantas vezes nos flagramos fazendo o que
não gostamos? A maior
parte das pessoas
é pensada e sentida por
outras. Elas foram treinadas pelas instituições da sociedade , em especial pela educação e
pela mídia ,
a pensarem, sentirem e perceberem segundo
uma determinada perspectiva ,
ao ponto de matarem e morrerem por
esta perspectiva , que
é sempre epistêmica, vale
dizer , que
está afinada com uma maneira de validar o pensamento . O que
é trágico é que
as pessoas acham que
a perspectiva em
que acreditam é fruto
de uma criação própria .
Elas acreditam que
tal perspectiva
é a verdade absoluta . (...)
Evandro Vieira Ouriques, coordenador do Núcleo de Estudos Transdisciplinares de Comunicação e Consciência (Netccon) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Entrevista completa aqui.

Verdade. Muitas vezes você não é o que você pensa, ou o que lê, o que ouve, o que viu da vida, as escolhas que fez ou deixou de fazer. Realmente grande parte do que acreditamos ser é fruto do que o outro acha, de uma perspectiva terceira. Engraçado como atribuímos adjetivos a nós mesmos porque alguém disse que somos ou não determinada coisa. Me lembrei agora de uma dinâmica feita na época da escola em que cada aluno tinha uma folha com seu nome e todos os outros deveriam escrever em cada uma das folhas o que achava daquela pessoa. Pessoa? Enfim, no final a folha de cada CRIANÇA vinha com adjetivos como "legal", "inteligente", "amigo", entre outros provavelmente não muito simpáticos. Não entendi o objetivo daquele "método pedagógico".
ResponderExcluirKarla F. - 2IC
Apesar de ser motivo de desespero para muitos alunos, principalmente nas provas de português, Mafalda é sensacional! Nada melhor do que a ironia dela para mostrar como o homem pode ser tão pequeno e despreocupado e manipulado o tempo todo.
ResponderExcluirIsso é simplesmente Mafalda. Sem mais.
Bruna Lacombe
Se parar para pensar ainda mais cedo, desde o nosso nascimento, nossos pais e familiares nos educam e nos permitem fazer algumas coisas em detrimento de outras. Não é desde aí que começamos a criar a nossa personalidade e essa já sendo moldado por outros (mesmo sendo nossa família)?
ResponderExcluirNão tem como pensar na personalidade de uma pessoa, sendo essa totalmente livre. A partir do momento que você entra em contato com outra pessoa, esta te influencia e te modifica.
Até alguém que tenha o pensamento mais livre e mais independente acaba sendo influenciado por alguém, nem que seja um ídolo ou um amigo próximo.
Só sendo sozinho no Mundo, sem se comunicar ao menos uma vez na vida com outra pessoa, para buscar um território mental totalmente sem interferências.
Isso tudo me lembra os livros da aula de sociologia em que diziam que a sociedade tem forças determisticas e somos condicionados a partir delas desde o momento em que nascemos. Um trecho da música "Geração Coca-cola", do Legião Urbana expressa bem isso. Eis o trecho: "Quando nascemos fomos programados a receber o que vocês nos empurraram com os enlatados, Dos u.s.a., de nove as seis. Desde pequenos nós comemos lixo comercial e industrial"
ResponderExcluirQuando era pequena achava que a Mafalda era coisa para criança. Com o passar dos anos pude perceber como ela é uma menina adulta e sabe da vida hahah... É importante parar e pensar muitas vezes, pois se não acabamos vendidos e completamente influenciados pelo o que vimos por aí. O exterior se torna mais importante pra gente do que tudo, vivemos um mundo de aparências em que compramos o que querem nos vender na televisão (por exemplo) só pra dizer que temos..
ResponderExcluirImpressionante como a Mafalda (o Quino, na verdade...) saber ser simples, mas com ideias tão complexas e arrebatadoras...
ResponderExcluir"A maior parte das pessoas é pensada e sentida por outras". Sim, somos condicionados pela sociedade e bla bla bla. Mas também temos nossa parcela de culpa ao aceitar tudo e deixar que nos moldem.
O ser humano é capaz de ser livre nas ideias, só acha mais fácil e confortável aceitar o que vier. Conveniência é uma praga...
Além do mais, nem toda influência é negativa! O único problema é que às vezes o filtro falha...
As tiradas do Quino são geniais mesmo. Três quadrinhos e muito espaço pra discussão sobre aquilo. Acho que essa questão do "não saber quem somos", como diz Mafalda, e do sermos moldados por algo, seja instituição, mídia, sociedade, é tão corriqueira. Às vezes, passa despercebido pela maior parte das pessoas. A Mafalda entra para acender uma luzinha de questionamento na gente. É tão difícil se desvencilhar disso, não é? Pensar por si só é uma tarefa que nem todos conseguem executar com sucesso. Acho que ter olhar crítico já é um início para descobrir quem somos. E isso, a Mafalda tem. Como diria Pitty: "Pense, fale, compre, beba, leia, vote, não se esqueça."
ResponderExcluirEssa questão da sociedade manipulada e moldada pela mídia esta igual chiclete, não sai da boca das pessoas. De fato esse é um dos assuntos mais falado nos últimos anos. E sim, cada vez mais as novelas, as propagandas, filmes e afins já sabem o que querem fazer com o espectador. "A maior parte das pessoas é pensada e sentida por outras" - Essa frase eu destaco do texto, porque de fato é uma grande verdade. A mídia se coloca no lugar das pessoas e já imagina aquilo que elas irão sentir, pensar… E com isso a questão do que nós somos é colocada em cheque.
ResponderExcluir