domingo, 25 de setembro de 2016

Estamos em 2069, num ambiente de estudo e pesquisa, antigamente chamado de sala de aula.


Os aprendizes têm entre doze e dezesseis anos e conversam com o dinamizador da inteligência coletiva do grupo, uma figura que em outras décadas já foi conhecida como "professor". Eles estão levantando e confrontando dados sobre os Centros de Cultura e Saberes Humanos (ou, como diziam antes, as "escolas") ao longo dos tempos.

Admirados, não conseguem conceber como funcionava, no século passado, um ensino que reunia os jovens não em função dos seus interesses ou temas de pesquisa, mas simplesmente por idades. O orientador de estudos lhes fala da avaliação: ela classificava os alunos por números ou notas segundo seu desempenho, e em função disso eles eram ou não "aprovados" para o nível seguinte. Os aprendizes ficam cada vez mais surpresos. Como determinar "níveis de ensino"? Como catalogar "fases de conhecimento"? O que seriam "etapas" escolares? Em que nó da rede curricular eles se baseavam para fundamentar isso? A surpresa maior se dá quando descobrem que essas avaliações ou "provas" eram aplicadas a todos os estudantes do grupo.
A MESMA PROVA? - espantam-se todos. Não conseguem conceber uma situação em que todos tivessem que saber exatamente os mesmos conteúdos, definidos por outra pessoa, no mesmo dia e hora marcados.

"Eles não ficavam angustiados?" - comenta um aprendiz com outro. Os jovens tentam se imaginar naquela época: recebendo um conjunto de questões a resolver, de memória e sem consulta, isolados das equipes de trabalho, sem partilha nem construção coletiva. Os problemas em geral não eram da vida prática, e sim coisas que eles só iriam utilizar em determinadas profissões, anos mais tarde. Imaginando a cena, os aprendizes começam a sentir uma espécie de angústia, tensão, até mesmo medo do fracasso, pânico de ficar na mesma "série", de ser excluído da escola...

"Assim, eu não ia querer estudar", diz um deles, expressando o que todos já experimentam. Mas em seguida, envolvido pelos outros temas da pesquisa, o grupo inicia uma nova discussão ainda mais interessante, e todos afastam definitivamente da cabeça aquele estranho pensamento."

Avaliar na cibercultura -Andrea Cecilia Ramal

6 comentários:

  1. Luiz, tomara que seja assim em breve.
    Pq está MUITO chato ter que assistir aulas pasteurizadas, com poucas e raras exceções. Haja saco, com todo respeito. (rsss)

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  2. Muito bom texto. É algo que já passa despercebido pelas pessoas, se todos estudam exatamente as mesmas coisas de onde vào sugir novas idéias?

    abraço

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  3. Le-andro: (rss) a gente chega em sala de aula com uma história de vida diferente. E somos tratados quase sempre como se tivéssemos idênticas leituras do mundo, méééé...... fecho com o chico: haja...eu reclamo, contesto, questiono, pergunto, aceito, duvido, desconfio, acho engraçado, concordo, e até emociono qdo o professor me faz pensar sem me ameaçar com faltas, nota baixa, ou falsos poderes desta espécie.
    É só um pitaco....
    Fui. ;)

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  4. Chico: estavas sumido! Não são só as aulas que são pasteurizadas. tem muito aluno assim. Não é o seu caso, amém. =)
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    Leandro: bem-vindo!
    Se tudo é texto afinemos o olhar. Independente do ensino industrial que vivemos há sempre um novo ângulo a ser descoberto. E como disse Galileu, professor não ensina nada: apenas mostra o caminho.
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    Miguel: adoro seus pitacos. Vc faz mesmo tudo isso que escreveu. Sou testemunha. (rss) Vá, mas volte sempre tá? =)

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  5. Luiz,
    Como é bom voltar aqui nesse espaço e me alimentar dessas discussões. E o melhor: meu papel ainda me permite levantar essas discussões com os educadores (pais, professores, gestores) que encontro pelo Brasil. Esse texto será a reflexão para o próximo encontro. Para alguns educadores, será assustador e para outros, libertador, animador.Obrigada!

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