terça-feira, 26 de abril de 2016

Para sempre é sempre por um triz.


Imaginem um rapaz correndo de moto numa estrada secundária. O vento bate-lhe no rosto. O rapaz fecha os olhos e abre os braços como nos filmes, sentindo-se vivo e em plena comunhão com o universo. Não vê o caminhão irromper do cruzamento. Morre feliz. A felicidade é, quase sempre, uma irresponsabilidade, somos felizes durante os breves instantes em que fechamos os olhos. 
Do livro “O Vendedor de Passados“, de José Eduardo Agualusa.   Título: Chico Buarque.

2 comentários:

  1. Talvez só sejamos realmente felizes quando nos permitimos ficar cegos. Cegos para o que nos entristece, cegos para cada minuto mal aproveitado e desperdiçado, cegos para os nossos traumas, cegos para o que nos tira a paz, cegos para os nossos arrependimentos, cegos para as decepções, cegos até para as injustiças que nos acometem, cegos para todo tipo de inferno. Porque a vida sempre é uma tomada de decisão, uma escolha de lado, e não podemos apagar todo mal real que tira o nosso sono, mas podemos escolher o paraíso, as lembranças felizes, a alegria de viver, o vigor de sonhar, o ar puro da manhã, as pessoas que tanto nos amam, os sorrisos que nos cercam, o sol que nos ilumina, as nossas escolhas certas para a qual sorrimos quase todo dia, cegos para cada dia bem vivido e para os que planejamos viver ainda melhor. O segredo é fazer da vida uma Bela Interpretação.

    ResponderExcluir