Quando nos expressamos por palavras, temos sempre a possibilidade de nascer. E se renunciamos ao nascimento, ao trocar a possibilidade do novo pelos chavões, aceitamos a morte antes de viver?
Fiquei pensando nisso. Parece-me que os lugares-comuns vão muito além das palavras. A gente pode transformar nossa vida inteira num clichê. Não basta apenas pensar antes de escrever, na tentativa de criar algo nosso. É preciso pensar para viver algo nosso – antes de repetir a vida de outros.
Do mesmo modo que é mais fácil botar no mundo o primeiro chavão que nos vem à cabeça, também é mais fácil – e mais aceito – viver segundo os clichês da nossa família, sociedade, época. Penso que a maioria de nós vai vivendo e repetindo velhas vidas que aparentemente já deram certo e não incomodam ninguém. (...) A vida que se vive para longe dos clichês não tem garantias. Tem vida. Tudo o que a vida que se vive para longe dos clichês nos oferece é isso, vida apenas.
( Clique aqui e leia na íntegra o encantador texto de Eliane Brum publicado na revista Época em 24/08/2009)

Em tempos de tanta discórdia é essencial desconstruir os padrões que nos cercam, relativizar o que já temos de mais estabelecido incluído nos nossos ideais. Além de resolver inúmeros problemas sociais, trazendo dessa forma ideias inusitadas e tolerantes, que envolvam compreensão de todos os lados, fugir do clichê é um exercício mental, para praticar a imaginação, uma saída diferente, a porta dos fundos ideal para o processo criativo. Quando reformatamos nosso cérebro, armazenamos o que já temos de mais relevante, porém baixamos novas informações, que juntas todas essas informações, podem e devem ser processadas por nós até encontrarem a vertente certa da criatividade, para enfim externalizarmos um pouco do que somos, um HD de arquivos totalmente originais.
ResponderExcluirEstamos condicionados a "viver pelos outros". É muito mais cômodo repetir discursos, paradigmas que nos são impostos e repassados de geração em geração. O lançar-se ao mundo por sua própria conta e risco e sair da zona de conforto torna-se um dilema na vida de muitas pessoas.
ResponderExcluirConcordo plenamente! Outro grande problema é o conformismo e a comodidade. A nossa sociedade está vivendo na inércia: frequentamos o colégio porque nossos pais nos obrigam, escolhemos uma faculdade (sob pura pressão) porque nos disseram que é o único jeito para arrumar um emprego e ser “alguém”; acabamos a faculdade arrumamos um emprego, fazemos doutorado, pós doutorado… Isso tudo porque fomos instruídos de que a vida é assim, não tem outra saída. Esquecemos de nos questionar se é isso que realmente queremos, se não existe outro modo de viver, caímos num eterno conformismo e levamos essa vida clichê.
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