"Mathematics, rightly viewed, possesses not only truth, but supreme beauty — a beauty cold and austere, without the gorgeous trappings of painting or music." —Betrand Russel
Ou: a maneira como se olha determina o que se vê.
Ou: a maneira como se olha determina o que se vê.
Eu adoro esses projetos que dão um aspecto audiovisual a elementos abstratos ou extremamente pragmáticos como essas equações matemáticas. Tem tudo a ver com leitura de mundo e direcionar um olhar diferente daquilo que se vê! Essas coisas estão por aí, espalhadas no mundo e a gente simplifica isso tudo no cotidiano, ignorando complexidades, ignorando toda uma estrutura numérica e atômica, como um pintor simplifica uma paisagem em traços livres. Mas, para mim, a mensagem do vídeo vai além de simplesmente mostrar: “olha como o mundo é feito de equações e como todas as suas ações são determinadas pelas ciências exatas”. É bonito porque transcende o nível do concreto, é algo muito mais subjetivo. Como a citação de Russel aponta, a matemática não possui apenas a verdade, mas uma beleza. E eu acredito que seja justamente esse aspecto estético, abstrato que realmente funcione como estrutura do mundo contemporâneo. Afinal, a equação de probabilidade não determina o resultado dos dados sozinha: existe todo um contexto cultural nos jogos de sorte; a emoção de uma criança ao jogar o seu peão vai além da função que prevê seu movimento; e por aí vai…
ResponderExcluirEsse video me faz pensar sobre o quanto do mundo é quantificável, o quanto tudo pode ser transcrito arbitrariamente pra uma linguagem de informação. Me faz pensar também sobre o nosso desejo de dominação: não nos basta ver um peão rodando ou núvens passando, temos que dominar aquilo que está acontecendo o máximo possível. O ser humano precisa de controle(ou pelo menos da sensação de controle), de saber o que se passa ao seu redor. Tudo é matemático. Tudo pode vir a se tornar matemático.
ResponderExcluirMe lembrou também uma cena do filme Whiplash, um dos indicados a melhor filme no Oscar: ao sentar na mesa com sua família, o protagonista fala sobre um concurso de Jazz. Quando lhe perguntam sobre como eles decidem o vencedor("não é subjetivo?"), ele responde que não. É tudo cronometrado, tudo matemático em seu tempo. Tudo tem que estar perfeitamente dominado. Não basta a perfeição ser sentida, ela tem que ser medida.
Essas coisas pra mim refletem uma parte do que é (ou do que pode ser) o homem: obsessivo, controlador, dominador. Mas se um dia o peão decidir não girar naqueles padrões ou se as núvens no céu decidirem se agrupar em tempestade, toda essa métrica, toda essa previsibilidade e sensação de domínio pode vir por água a baixo. Claro, podemos mensurar as informações necessárias pra medirmos um relâmpago. Mas não se ele cair sobre nossas cabeças.
Gostei bastante desse curta. É íncrível reparar como o homem tem uma capacidade analítica tão grande. Apesar disso não ser sempre uma coisa positiva, acredito que de fato a matemática seja uma das linguagens da natureza. É só pensar na sequência de Fibonacci, que tem ligação com o número de pétalas de uma flor, a dentição humana, a espiral nas conchas e nas folhas de bromélias e milhares de outras coisas. Além disso, pra provar que tudo está interligado, subjetivamente e objetivamente, os números de Fibonacci ainda são usados na música para a afinação, e nas artes plásticas para determinar proporções. Isso é muito louco.
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