domingo, 7 de outubro de 2012

Votos partidos.

(...) Há, sem embargo disso, que contar com uma terceira posição na hora de votar: o interesse próprio. Há vários tipos de “cabresto”, para usar a imagem conhecida. Ainda há o eleitor que vota por um par de botinas, o remédio para seus achaques ou uma quantia em dinheiro vivo.


Mais graves são os interesses maiores, os do grande capital, que financiam candidatos, partidos e pessoas influentes. Desde os tempos bem antigos, dinheiro e poder têm sido irmãos quase inseparáveis. Como dizia – na velha e sempre citada Grécia – o venerado Platão, há duas cidades na cidade: a cidade dos ricos e a cidade dos pobres.


Enquanto houver ricos, haverá pobres. Para que não haja mais pobres na cidade –  o endereço de todas as utopias – é necessário que não haja mais ricos. Dessa forma, desde que há sociedades organizadas, a História se faz nessa tensão permanente entre os que oprimem e os que resistem. A política se encarrega de administrar esse conflito, seja pela força das ditaduras, seja pelas regras republicanas, mais democráticas umas e menos democráticas outras. Ainda que dominada pela associação entre os patrícios ricos – quase sempre bem sucedidos concessionários do Estado – e  o poder militar, a República Romana sabia engambelar as massas, mediante o tribunato da plebe e a possibilidade de ascensão dos pobres ao mando, pelo desempenho bélico, como foi o caso exemplar de Caio Mário.  Como também ocorre em nossos dias, o poder de fato sabia como cooptar homens de talento para garantir o sistema.

Os que se dedicam ao estudo da História sabem que as coisas mudaram pouco e “as duas cidades” continuam opondo-se uma à outra, até que a utopia cristã da igualdade (vivida por Pedro e a sua Igreja do Caminho) se imponha na Terra. A vida dos pobres é a crônica de uma eterna resistência em nome da esperança. (...)

Mauro Satayana - JB Online, 5/10

Um comentário:

  1. Muito bom o texto Luiz!!! "A vida dos pobres é a crônica de uma eterna resistência em nome da esperança" que frase!!!
    Um belo exemplo de Jung e Freud coexistindo, se me permite a viagem :]

    ResponderExcluir