(...) Há, sem embargo disso, que
contar com
uma terceira posição
na hora de votar :
o interesse próprio .
Há vários tipos
de “cabresto ”, para
usar a imagem
conhecida . Ainda
há o eleitor que
vota por
um par
de botinas , o remédio
para seus achaques ou uma
quantia em
dinheiro vivo .
Enquanto houver ricos, haverá pobres. Para que não haja mais
pobres na cidade – o endereço de todas as utopias – é necessário que não
haja mais ricos. Dessa forma, desde que há sociedades organizadas, a História
se faz nessa tensão permanente entre os que oprimem e os que resistem. A
política se encarrega de administrar esse conflito, seja pela força das
ditaduras, seja pelas regras republicanas, mais democráticas umas e menos
democráticas outras. Ainda que dominada pela associação entre os patrícios
ricos – quase sempre bem sucedidos concessionários do Estado – e o poder
militar, a República Romana sabia engambelar as massas, mediante o tribunato da
plebe e a possibilidade de ascensão dos pobres ao mando, pelo desempenho
bélico, como foi o caso exemplar de Caio Mário. Como também ocorre em
nossos dias, o poder de fato sabia como cooptar homens de talento para garantir
o sistema.
Os que se dedicam ao estudo da História sabem que as coisas mudaram pouco e “as
duas cidades” continuam opondo-se uma à outra, até que a utopia cristã da
igualdade (vivida por Pedro e a sua Igreja do Caminho) se imponha na Terra. A
vida dos pobres é a crônica de uma eterna resistência em nome da esperança.
(...)
Mauro Satayana - JB Online, 5/10

Muito bom o texto Luiz!!! "A vida dos pobres é a crônica de uma eterna resistência em nome da esperança" que frase!!!
ResponderExcluirUm belo exemplo de Jung e Freud coexistindo, se me permite a viagem :]