quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Surpreenda.


A surpresa é um ingrediente dos mais usados pela propaganda mundial. Agências e anunciantes de todos os países valem-se assiduamente deste elemento para tentar extrair o máximo de retorno de seu investimento publicitário pela via da fixação/expansão do share of mind (participação), isto é, tentar garantir que o produto ocupe uma parcela razoável da memória do público por muito tempo.

Claro que a ideia é tentar surpreender em anúncios para todas as mídias, mas este é um artifício muito usado particularmente na criação de comerciais de televisão e cinema, pela geração de tensão e alívio de tensão, isto é, criando-se um clima, uma expectativa de que a historieta deverá terminar de modo esperado, previsível, quando, na verdade, tem um final surpreendente. A revelação de que o final do comercial não é aquele que o público esperava é o chamado alívio de tensão.

Cuidado: um perigo muito frequente que se deve evitar, no entanto, é conseguir fazer um comercial daqueles que chamam demais a atenção por si mesmos, são um sucesso popular, mais cujo produto anunciado ninguém é capaz de lembrar.

De qualquer modo, sempre que você conseguir surpreender positivamente o público, e associar esta surpresa a um benefício do produto anunciado, terá marcado um ponto a seu favor.

Uma excelente estratégia de surpreender é a criação de teasers, peças que estimulam a curiosidade do público mas não contam, não revelam do que se trata, até que chegue o momento certo.
Como extrair a polpa de um tomate com uma tesoura?”, perguntava, certa vez, um teaser. Alguns dias depois, aconteceu o lançamento das embalagens Tetra-Pak, com o argumento de que preservavam o frescor dos alimentos. A campanha mostrava às donas-de-casa que para obter a polpa fresquinha do tomate bastaria cortar o cantinho da embalagem com uma tesoura. Estava resolvido o enigma.

Outro exemplo.

A agência McCann-Erickson fez, para a linha de impressoras de seu cliente HP, um anúncio de revista valendo-se daqueles jogos dos sete erros normalmente publicados em suplementos infantis de jornais, e demais edições do nero

Esses jogos dos sete erros, como se sabe, trazem duas imagens muitíssimo semelhantes, e tem-se que descobrir as sete diferenças mínimas que elas apresentam entre si.
O título do anúncio é: “O JOGO DOS SETE ERROS. Ache os sete erros e, depois, confira no da imagem a resposta certa.”.
Logo abaixo das duas imagens iguais (um desenho de crianças atravessando a rua), há a resposta: “ Com as impressoras HP, não tem erro: as cópias saem todas iguais”.

Detalhe: não existem erros nas imagens, elas são absolutamente iguais. O leitor deste anúncio certamente terá sido surpreendido com a informação de que a qualidade do produto anunciado evitou a existência de erros entre as duas cópias de uma mesma imagem. O anunciante se beneficiou não por haver prendido a atenção, como também pela mensagem de qualidade que conseguiu passar de modo a surpreender seu público-alvo.
Carlos Domingos – Criação sem pistolão


10 comentários:

  1. Matheus Feliciano 17hquarta-feira, outubro 24, 2012

    Eu sempre tento imaginar da onde esses criadores tiram essas ideia. Sinceramente, não é algo que possa ser ensinado. A criatividade passa por um viés emocional muito grande, disso eu sei; mas maior ainda é saber adaptar. Adaptar os sentimentos a uma realidade concreta. É o que eu vejo como criatividade. Acredito que criatividade passa primeiro pelo coração e depois para o cérebro. Ou talvez ela nunca saia do coração.

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  2. Pedro Antonio Guimarães - 17hdomingo, outubro 28, 2012

    Sem dúvida a emoção no processo criativo é fundamental! Antes de emocionar o outro ou pensar em emocionar o outro, temos que nos emocionar. Mas a emoção é algo individual. Então temos que também pensar no outro para nos emocionar!

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  3. Yuri Hernandes - 15hdomingo, outubro 28, 2012

    Eu achava que a capacidade de criar e surpreender fossem privilégios de alguns dotados. Na verdade é fruto de muito trabalho, pesquisa e comprometimento. Todos temos a capacidade de surpreender, uns mais que os outros e cada um de uma forma diferente. O importante, como tudo na vida, é querer e nesse caso também sentir.

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  4. Surpreender. Adoro essa palavra e adoro ser surpreendida, assim como adoro surpreender. É tão boa aquela sensação de trabalho cumprido e superado, que foi além das expectativas. Me sinto completa. Porque antes de completar os outros, consegui me completar, consegui ME surpreender. Ir bem mais fundo do que eu pensava que pudesse ir, uma das melhores sensações.

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  5. Vamos combinar que a palavra surpresa é uma faca de dois gumes pois ela pode ser boa ou ruim isso é óbvio mas surpreender alguém é algo difícil pois tem que ser uma pessoa criativa que consiga idealizar uma coisa mirabolante para impressionar o outro. É como se você pudesse entrar na mente daquela pessoa e buscar o sentimento ideal para a aquele tipo de surpresa. É a mesma coisa que acontece com um livro que não paramos de ler e nos surpreendemos a cada página, é a expectativa que faz aquilo ser mais intrigante e misterioso que uma surpresa pode trazer. Surpreenda a si mesmo essa é uma dica que vale a pena a seguir pois você se sente cada vez mais capaz de se conhecer e de criar.

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  6. Não ser direto é uma forma de prender a atenção ao mesmo tempo que um artifício que possibilita a surpresa. Não é à toa que, na medida certa, a subjetividade é uma excelente ferramenta!
    Na minha opinião, nada supera um teaser bem feito como forma de promover um filme, e não faltam exemplos de ótimos teasers por aí. Todavia, ainda predomina na mente dos grandes estúdios a ideia de que aqueles trailers tradicionais, os quais revelam de antemão toda a trama do filme, são a melhor garantia de retorno financeiro.
    O que dá mais dinheiro (mostrar o que o filme "tem a oferecer" ou manter suspense e surpreender o espectador), não sei. Mas se eu tivesse que palpitar, diria (apenas com base nas minhas próprias sensações) que o que mais me prende é o "não saber", e o que mais me agrada é o inesperado.

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    1. Fabio Guilherme Dias - 13hquarta-feira, outubro 31, 2012

      Existem elementos presentes no cinema que são para vender mesmo. Trailer para mim é uma delas. Eu me sinto presenteado com um teaser. Me sinto subestimado com um trailer. As pessoas têm que ver uma explosão no trailer para saber que o filme "valerá a pena". O novo trailer do "Homem de Aço".. Puts. Tudo corre perfeitamente até a cena final. Cacete, cena boba, vendida. Assim como a peça do xadrez do magneto no final do X-men, assim como o peão da Origem, assim como o close do dedo do David em Prometheus colocando a paradinha no copo, assim como tanta coisa! Esses elementos são brochantes. Puts. Pô, a mesma coisa acontece com os títulos também. Assim como você mesmo comentou aqui no blog: After de Sunset e Ladrão de Diamantes. Caraca, como eu me sinto um espectador subestimado nessas horas.

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  7. O importante não é só surpreender o público alvo do cliente, é também surpreender O cliente! O que, para mim, caracteriza profissionalismo.

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  8. Pilar Feldman - 15 hrsquarta-feira, novembro 07, 2012

    Tudo que nos surpreende parece ter um gostinho a mais. Parece ter sido feito com mais empenho, mais criatividade, mais vontade de deixar o consumidor de queixo caído. Ao surpreender os consumidores, devemos ficar com um orgulho dos pés a cabeça, deve ser uam sensaçao única. Surpresas são sempre muito boas, tanto na vida pessoal, quanto profissional. Adorei a ideia da impressora!

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  9. O ato de surpreender é extremamente importe para propaganda, mas serve também para muitas coisas que vão além da publicidade. Serve para tudo na vida. Quando você surpreende seu chefe, por exemplo, você pode ser mais reconhecido, seu salário pode aumentar e pode até conseguir subir de cargo. Se ficar sempre ali, numa rotina, fazendo coisas normais, sem sair do senso comum, sem ser original, não vai se desenvolver muito, seja na vida profissional, seja na vida pessoal.

    Como eu já disse, pra surpreender, a pessoa precisa sair do senso comum, ser original, ser criativa e estimular a curiosidade das pessoas as seduzindo.

    Ao contrario do que muitas pessoas pensam, a criatividade não é um bicho de outro mundo, ela é uma técnica que se aprende e pode ser desenvolvida. Mas não é fácil, para desenvolvê-la a pessoa precisa se dedicar, se comprometer e sempre buscar a perfeição. Ser criativo é criar novas respostas ou ideias a partir de um problema. Ser original, inovar, inventar ou descobrir a solução desse problema. Dar existência a algo novo e único. Pra isso a pessoa deve usar a imaginação, ter um foco e, principalmente, buscar o seu objetivo.

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