segunda-feira, 22 de outubro de 2012

O segredo é começar com um grande título.


Uma simples mudança de palavras pode fazer a diferença entre grandes resultados e resultados sofríveisSimples: são as primeiras palavras que, num anúncio, recebem o simpático nome de títuloO título é, de fato, um elemento com o qual nós de certa forma nos condicionamos.

Sua inexistência causa estranheza, sem dúvida. Mesmo porque estamos muito habituados a vê-lo em todos os lugares e das mais variadas formas. Ele existe na propaganda e existe no jornalismo impresso e falado ( que, nestes casos, seu nome também é manchete). Os trabalhos escolares têm título.  O nome e o sobrenome de cada pessoa é um título. Até esta aula tem um título!

O fato indiscutível é que estamos acostumados a identificar o conteúdo pela amostra, o todo pela parte, e o título existe para nos ajudar nesse processo.

Como síntese do que vem depois, ele nos ajuda a decidir quanta atenção vamos dar ao que virá. David Ogilvy, um dos mais famosos publicitários do mundo, dizia que um título vale oitenta centavos do único dólar que você tenha. Tudo a ver.

Algumas dicas sobre títulos.
Um título deve funcionar como o doce que vemos na vitrina da doceira. É lindo, sedutor, apetitoso, faz a gente imaginar o sabor e o prazer que vamos sentir na primeira mordida. E não esqueça: o filhote do título é o subtítulo; embora de existência nem sempre necessária, subtítulo é algo como alguém convidando você a entrar na doceira.

O título é a blusa levemente entreaberta daquela mulher irresistível, é o olhar discreto e fascinante do galã de cinema.

Em outras palavras, o título de um anúncio deve despertar algum ímpeto, alguma vontade, algum sentimento forte o suficiente para fazer o público alvo ter vontade de ir mais adiante e “devorar” o anúncio com todas as promessas de benefício que o produto traz. Despertar o desejo do “eu quero mais”.

Por isso aqueles títulos frios, chatos, factuais ao extremo simplesmente não funcionam. Não há neles poder algum de sedução porque nãoemoção.

Além do mais, se o seu título não criar uma imagem viva ou algum sentimento na mente do leitor, pode esquecer os bons resultados.

Por falar em resultados, algumas evidências são incontestáveis:

>>> mudanças nos títulos alteram a memorização dos anúncios e, certamente, os resultados de vendas;
>>> muito mais gente apenas os títulos do que os anúncios inteiros, o que faz do título um elemento indiscutivelmente importante.

W.Olivetto sempre ordena aos redatores de sua equipe: quando vierem me mostrar seus títulos tragam no mínimo, 15 opções. Menos que isso, não quero ler.  Faz sentido.

Um exemplo:
Vejamos um caso imaginário. O produto é a bola de tênis da marca plofts (fictícia).

Opção 1 – título chato, sem tempero, sem sedução:

BOLAS DE TÊNIS PLOFTS. FABRICADAS DE ACORDO COM AS MAIS EXIGENTES RECOMENDAÇÕES INTERNACIONAIS.

Opção 2 – título com tempero, com sedução:

, VOCÊ DIZ PRO GUGA: “TÁ BOM, HOJE EU TOPO UMA PARTIDA

Sacou a diferença? A opção 2 nem precisa de texto. Bastaria, talvez, uma foto de um sujeito com expressão marota e convincente, mais a foto do produto e assinatura do anunciante.

Lembre-se: a chatice é o único defeito de caráter que ninguém perdoa.

Em um anúncio as coisas não são muito diferentes.
Existem no mercado brasileiro cerca de 40 marcas de creme dental; 116 marcas de molho de tomate; 122 marcas de sabão em e mais de mil marcas de xampu. Como fazer o consumidor preferir uma entre tantas?

O produto pode ser bom, a empresa bem intencionada, a mensagem adequada. Contudo, se ela for chata vai ficar falando sozinha.

Até pouco tempo atrás os anunciantes chatos tinham uma arma: o consumidor ficava imobilizado frente à televisão assistindo comerciais de margarina, sabão em , achocolatados e creme dental com mães artificiais travando diálogos impossíveis com crianças irreais a respeito de atributos sobre os quais ninguém estava interessado.

Hoje, porém, a sujeição acabou. Inventaram o controle remoto. Inventaram o celular, o computador, o facebook, o youtube. Resultado: as pessoas se vingam dos comerciais chatos e, Zapt, mudam de canal. Ou desligam a tv.

Por isso, se você tem ambições na vidaconquistar um amor, fazer carreira na empresa ou ganhar consumidores para o seu produto -, comece pela regra áurea: não seja chato. Ninguém perdoa.
Zeca Martins - Prática na prática.

3 comentários:

  1. Tanto a questão do título como a do "chato" são muito presentes para quem faz cinema. Chato, como muitos gostam de afirmar, é relativo. Dizem que o diretor nunca acha seu filme chato (o que não é verdade) e que ele age corretamente preocupando-se apenas com a PRÓPRIA concepção de chatice. Isso, repito, falando de cinema, não de publicidade. E mesmo para o caso do cinema, gostaria de deixar claro que discordo completamente dessa ideia de que o artista tem que pensar muito mais em si próprio. Óbvio que gosto não é universal e que tentar agradar a absolutamente todos é estupidez. Porém, quando se trata de fazer um filme, acho egoísmo não pensar na possível opinião alheia, uma vez que um filme é feito para ser assistido por diversas pessoas e certas coisas só não são chatas para você. Não se trata apenas de vender o filme, e sim da noção de que ele não é feito para o autor assistir, e sim para que outros entendam a mensagem do autor. E, para isso, concessões serão necessárias.

    Quanto ao título, tenho apenas uma observação: adoro reparar nas mudanças que fazem ao adaptar os títulos de filmes estrangeiros para o português. Antes pensava ser algo inútil, até que notei a maior necessidade dos títulos brasileiros por esclarecer a trama e o gênero do filme em questão.

    Exemplo: Nos Estados Unidos, o título "After the Sunset" acompanhou um filme sem esclarecer detalhes de sua história em primeira mão. As pessoas iam ao cinema porque sabiam quem o fazia e, ao menos por alto, de que se tratava. Apenas mais tarde, após terem realmente assistido ao filme, o título estabelecia uma relação direta com esse na mente dos espectadores.
    Já aqui no Brasil esse mesmo filme não poderia ter se chamado "Após o Pôr-do-Sol", como ficaria numa tradução literal. O que me parece é que, na cabeça de seja lá quem for que escolhe a versão brasileira dos títulos, o público seria levado a pensar que se trata de um filme mamão-com-açúcar de romance ou drama. Daí a versão em português, "Ladrão de diamantes". Aí não haveria engano, e todos irão para a sessão cientes de que se trata da história de um ladrão, o que poderia envolver bastante ação. E ação vende.

    Não sei se é verdade que os brasileiros têm uma maior tendência a decidir qual filme assistirão com base no título. Talvez fosse o caso há um certo tempo, e virou força do hábito. Ou talvez o criador esteja mais no controle de sua obra em seu próprio país, ou quem sabe ele não se importe em favorecer as vendas no exterior, "corrompendo", de certa forma, seu trabalho. A questão é que existe um motivo pelo qual, no Brasil, optaram por "Ladrão de diamantes" ao invéz de "Após o Pôr-do-Sol", que comunicaria tanto quanto a versão em inglês. "After the Sunset" é interessante porque, nem que por um brevíssimo momento, permite uma dialética entre título e filme, dando maior profundidade artística ao todo da obra. Já "Ladrão de diamantes" joga na lata algumas das coisas que se pode esperar do filme, e vende mais. Qual é a melhor opção? Realmente não sei, tanto que gosto do fato de que um filme ganhe mais de um título.

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  2. Muito bom post, Favilla! E Renato, toda essa questão de títulos dados a filmes no Brasil, acho que o que deve ser feito é uma "versão" do título original e não uma tradução ao pé da letra. Cada idioma tem suas peculiaridades e formas de se expressar, nem sempre traduzir é a melhor solução.
    Acho, até certo ponto, precária a nomenclatura dos filmes quando trazidos para o Brasil, mas não discordo quando eles "mudam" o título ao invés de traduzi-lo ao pé da letra.

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  3. Lendo esse post por uma ótica cinematográfica, vejo que a lógica também se aplica. Um exemplo: o diretor de cinema Peter Bogdanovich estava indeciso em relação ao título de seu filme, e pensou em chamá-lo de "A reza de Addie". Enquanto escutava uma música de Billy Rose, descobriu uma alternativa: "Lua de Papel". Foi buscar a opinião de Orson Welles, que lhe respondeu: "Com esse título, você nem precisa fazer o filme". Foi um sucesso, tem 90% de aprovação de críticos, ganhou 13 milhões em 1973, apesar de ser em preto-e-branco e ganhou um oscar, além de uma série de TV com o mesmo nome. Claro que o êxito não se deve somente ao título, mas esse certamente o ajudou.

    E o que falar de títulos tão belos quanto os filmes, livros e poemas que lhe seguem? "Eu receberia as piores notícias dos teus lindos lábios", "Soneto da Intimidade", "O risco do bordado", "A pele que habito", entre outros. São muitos os exemplos.

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