terça-feira, 30 de outubro de 2012

Assim é se lhe parece.


Aperte o play e acompanhe o raciocínio sobre o poder da música em nosso cérebro.

"Agora você está ouvindo uma nota.
Agora você está comparando com a nota que acabou de ouvir.
Agora está tentando prever a nota que ouvirá na sequência.
Essas 3 coisas estão acontecendo ao mesmo tempo.
Isso se chama audiation (audition + imagination).
Você só ouve uma nota por vez.
Cada nota possui uma definição (volume, tom, duração).
Mas não são definições que nos movem.
Significado nos move.
Sozinha, cada nota não significa nada.
É você quem dá significado a ela, ao comparar com as outras notas que acabou de ouvir.
Essa comparação é algo que só você pode fazer por você mesmo. (…)”

Li no UpDate   Título: Pirandello

9 comentários:

  1. E lá vem meu olhar de música!
    Para mim, a música estava uma delícia, aí surgiu o texto, e acabou com meu raciocínio. Comecei um novo raciocínio, agora pensando no que as palavras estavam me dizendo e não mais no que a música estava representando. Mas, até que gostei desse raciocínio que interrompeu o anterior. Muitas vezes esquecemos que quem defini nossa vida somos nós mesmos.
    "Porque você não canta música tal? Porque você canta Simonal? Quem é Antonio Adolfo? Que banda é essa?" Quantas vezes já ouvi cada uma dessas perguntas e criei uma cenário na minha cabeça: um tapa na cara da pessoa por ter ignorância de um assunto como música.
    Mas, percebo agora que entendo de uma coisa que não todos entendem, assim como, não entendo de um monte de coisas que muitos entendem. Não adiantar ficar frustrada ou chateada, desapontada ou irritada. A música tem um poder incrível e eu concordo plenamente que ela seja sua própria língua. Deveria ficar feliz em poder compartilhar esse mundo com os outros!
    Tente conversa comigo e meus colegas durante uma passagem de som.... "Desce um tom, o ritmo é para-pa-pa-papa, esse acorde é Dm#7...." UFA. É uma confusão só. Mas é a comunicação que utilizamos, e eu adoro! Essa semana mesmo aprendi o que era pauta (eu sei, ridículo, aluna de música há mais de 10 anos e não sabia que o nome de staff em português era pauta!).
    Meu sonho seria poder colocar no meu currículo: Idiomas: Português, Inglês, Espanhol, Música.
    Afinal, para mim, é um idioma que uso para comunicar com um grupo da sociedade!

    Fica a dica de um vídeo encantador. Deve ser ouvido com fone de ouvido, alto, e de olhos fechado. Experiência encantadora que compartilhei com todos ao meu redor!
    http://www.youtube.com/watch?v=IUDTlvagjJA

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  2. Pedro Antonio Guimarães - 17hterça-feira, outubro 30, 2012

    Vou discordar da Fernanda com muito penar, por que o texto dela está lindo. Continuei escutando a música com a mesmo força que escutava antes. Entender que damos significados a cada coisa, entender que escutamos apenas uma nota de cada vez e entender que cada sozinha não significa nada é algo que faz entender o sentido de música, e o sentido da minha vida. Viver cada acorde, cada cifra, cada letra, cada sentido, cada pedacinho do que a vida - música - for te dando para que você chegue ao final entendendo melhor o que foi aquela vida. E concordar com que a música é linguagem, é forma. Mas também é alma; é sentido de vida, aliás é VIDA. Aprendamos com essa vida, a vida da música: a que ensina, que cria regras, que sensibilidade. Sejamos mais a música e tenhamos a leveza que a música nos pede.

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  3. Cada um da um significado diferente a aquilo que nada é sozinho.
    E o que está escrito é pura verdade. As vezes não estamos prestando atenção em cada nota, em seu tom e sua duração e sim no conjunto da obra.
    Mas que parando para pensar cada uma compõe a música. Como nós no mundo.
    Cada um faz a diferença por si só independente dos outros.

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  4. Fabio Guilherme Dias - 13hquarta-feira, outubro 31, 2012

    Logo hoje que eu serei forçado a fazer 8 comentários no blog, me surge um post musical! Se o nome disso não é sorte, não sei o que pensar! Fico feliz =)

    (Tudo a seguir é puramente baseado em minha opinião.) (É parcial.)

    Concordo mais com a Fernanda do que com o Pedro, apesar de ter um ponto de vista bastante diferente dos dois. Quando algo se trata de dividir a atenção e envolve música, é difícil para mim. Eu reluto. Eu gosto de focar toda a minha atenção em escutar. Acho que música funciona de uma forma um pouco diferente para mim... Por exemplo: eu posso me emocionar muito com uma apresentação musical que eu nunca tinha ouvido falar. Assim como em um show de uma banda que eu conheço as todas as letras e músicas.

    Eu já tenho certo preconceito em relação à apreciação da arte de modo contextual. Eu consigo analisar uma música que teve um grande significado durante a ditadura militar no país (mensagens revolucionárias subliminares e tals), mas se o cantor estiver desafinado, eu vou sentir. Quem ver de fora, talvez pense que eu analise música de uma forma muito racional, mas não é assim que eu penso. A forma como lido com música é diferente de todas as outras manifestações artísticas.
    É a minha catarse da forma mais direta.
    Apesar de estar meio sem tempo, eu gosto de brincar de músico também.

    O que pode atingir a sensibilidade das pessoas no seu ponto G musicalmente é meio difícil de se enumerar. Além de fatores culturais e sociais, como as pessoas já estarem condicionadas a gostarem de certas características de música - o que acontece tanto dentro de uma tribo indígena, quanto na nossa sociedade "complexa" -, existem os músicos. Timbre e complexidade (tanto melódica quanto rítmica) são coisas que podem tocar músicos como eu (Não que só me agradem músicas super trabalhadas, obviamente).
    Vou dar alguns exemplos e ao invés de dizer algo como "Essa música não necessita explicações!" vou tentar dizer o porquê de elas me tocarem.

    http://vimeo.com/45869063
    http://www.youtube.com/watch?v=McDgDlnDX0Y

    Toca-me profundamente por dar um nó na minha cabeça. Quero escutar cada frequência de cada voz nessas músicas. Além do timbre das vozes, a textura e a teor orgânico da gravação (da primeira), a divisão das vozes na melodia é complexa para o meu ouvido. Eu não consigo distinguir os intervalos com facilidade. Além de as músicas terem a capacidade de criar atmosferas densas. Não são as letras que me fazem vibrar nesse caso. Acho músicas emocionantes.

    http://www.youtube.com/watch?v=pOfiX55-i7k
    http://www.youtube.com/watch?v=VjJlYOGYlC4&feature=related

    O tempo. O tempo é muito “torto” para eu assimilar com facilidade. A melodia é imprevisível. Apesar de ser muito claro na minha cabeça, tenho até um pouco de dificuldade de explicar o porquê de essas músicas me impressionarem tanto. É orgânico, é pensado. Eu me sinto meio que presenteado com a parada, sabe?

    http://www.youtube.com/watch?v=7Qqtqj1odfw

    Agrada-me demais os timbres, tanto da voz quanto do violão, mas essa música me ganha com a letra: significa. O que faz eu me emocionar com certeza está muito relacionado ao significado da música, à minha própria identificação com a poesia. Além de a música ter uma estética muito próxima do que eu me condicionei e fui condicionado a gostar, culturalmente.

    Enfim, estou analisando tão brevemente, que chega a ser meio escroto. A música tem que falar por si só. Acho inclusive melhor eu parar de colocar vídeos de exemplos de músicas. Assim eu iria de clássicos de Chico, Caetano, Gil ou Tom Jobim, João Gilberto. E acho que citá-los já é suficiente. Tem música que é quase uma poesia recitada, com poucas variações de notas, e que conseguem encantar: conseguem me fazer acreditar.
    Música é uma coisa muito grande. A impressão mais precipitada que alguém pode ter é a de que conhece muita variedade musical.

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  5. Fabio Guilherme Dias - 13hquarta-feira, outubro 31, 2012

    (Continua)

    Voltando um pouco:
    Relativizar. Música tem 1000 funções para mil culturas diferentes. Música é linguagem sim: às vezes fala com palavras e às vezes não. Mesmo aquelas músicas que parecem que não foram nem pensadas, sabe? Parece que o cara sentou, escreveu sobre um amor perdido, rimou "you" e “heart” com um monte de coisa e deu. Não dá pra sair julgando assim, sem mais nem menos. Existe a indústria dos 4 acordes? Sim, mas será que cultura pop é só isso? Refiro-me mais à galera mais “refinada”.
    Amo música clássica, amo música acústica, amo trilha sonora, amo eletrônico, amo rock progressivo, amo samba de raiz, amo canto lírico, amo folk irlandês, amo jazz blues, amo tudo que é de verdade, amo um monte de coisas. Música está muitas vezes relacionada ao que a pessoa está condicionada a querer gostar. Todo mundo tem a sua fase “música boa é X! Y e Z são uma merda”. Claro que preferências existem, mas precisamos pregar a nossa música? Acredito que as pessoas estranhem as músicas que coloquei aqui como exemplo (com exceção a do Tiago Iorc).
    Fernanda: Que vídeo sensacional! Que experiência brilhante e bem pensada! Já mandei pra todo mundo que achei que fosse gostar!
    E por último: O vídeo =)
    Acho que entendi melhor a parte musical do que a parte linguística: na primeira parte temos notas com pausas, sem muita duração e nenhuma delas entrava no tempo da outra. Como dito no vídeo, você ouvindo uma nota de cada vez, nenhuma delas tem significado. Mas você processa todas elas juntas e isso forma a música – bastante óbvio. A relação entre as palavras acho que foi sobre elas funcionarem da mesma maneira. Isoladamente, você ouve uma por uma e muitas vezes prevê o que vai ser ouvido, embora elas, sós, não tenha conteúdo. É contextual.
    Eu não entendi bem a parte final, da definição e significado... Me perdi um pouco no tablet e fiquei com a impressão de que o assunto música só está no vídeo para ilustrar uma outra ideia, relacionada à percepção de mundo. Alguém arrisca?

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  6. Fabio Guilherme Dias - 13hquarta-feira, outubro 31, 2012

    Quem sou eu para falar de música? Me achei extremamente pretensioso depois de algum tempo de feito esse comentário acima.

    O que você escuta, Favilla?

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  7. É incrível o efeito que a música causa em nossas almas. Concordo que o efeito dela em cada um de nós seja algo muito subjetivo, tanto para bem quanto para mal. Não sei se tentamos adivinhar a próxima nota ou se a comparamos com a anterior, só sei que a sinto. Sinto a sinfonia das sensações e dos desejos. Sinto um tsunami de lembranças enquanto minha mente fica fervilhando e pensando em 1001 coisas ao mesmo tempo. Sinto calma, sinto poesia. Sinto cada nota ecoar em minha cabeça. Cada música é minha, e só minha.

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  8. Uma ótimo abordagem sobre o efeito da experiência musical no ser humano, entretanto tenho que discordar com tudo com a exceção do fato da música ser um experiência pessoal, singular e objetiva.

    Sou músico, auto-didata, mas sei fazer música. A música é uma ciência de repercussão teológica. Por mais que venha falar que acorde X, proporcione efeito Y devido à qualidade Z, jamais conseguirei descrever o que isso surte em cada pessoa. A música é um língua intraduzível, incomensurável com qualquer outra coisa.

    O efeito não existe enquanto a relação entre notas. O efeito existe enquanto a música como um todo, na sua dinâmica diversificada, na sua letra, na imprevisibilidade (ou previsibilidade) de uma rima ou melodia; existe enquanto seu contexto histórico-social. Não vou dizer que há musicas melhores que outras, cada música serve o seu propósito. Imagina carnaval ao som de Mozart?

    A musica é uma sessão de terapia que faz levantar questões pessoais e sociais inimagináveis. A musica é uma mulher com quem você dança nas horas de solidão. A musica é a catarse dos loucos e a evasão do povo. O charme da música dorme na sua incompreensibilidade. Não quero e nem cabe a mim entender o poder da musica. Prefiro ficar no escuro - escutando musica.

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