Tudo que se dá à leitura é texto. Afinar o olhar e saber ler o mundo é poder agir sobre ele, tecendo e destecendo a vida, assumindo a autoria de sua história. Inspirado no poema Ler o Mundo, de Afonso Romano de Santanna (1989), o portal nasceu em 2007 com a missão de mudar a perspectiva do olhar dos meus alunos de Comunicação Social e de Artes e Design da PUC-Rio. E transformou-se numa prática de leitura e de autoria fundamentada na interlocução e na parceria. luizfavilla@gmail.com
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Siga em frente.
Me procurei a vida inteira e não me achei — pelo que fui salvo.
Decidi esse ano tentar entender quem eu sou. Não para os outros, mas para mim mesmo. Quero descobrir qual a minha essência, e não o que é pensado a meu respeito. Parece simplório, mas não é. Ou sou apenas eu não querendo que seja. Nessa jornada espiritual, a primeira coisa que fiz foi olhar para minhas ações. Já dizia alguém (que não sou eu) que "você é o que você faz". Partindo dessa premissa alheia, me encontrei preso em um novo dilema: eu gosto do que faço? Se eu gostar, talvez o que essa pessoa que eu não conheço disse se aplique também a mim. Por um momento, fiquei feliz de ter chegado até aqui. Parecia ser apenas uma questão de tempo até que as verdades a meu respeito começassem a emergir. Mas aí tudo travou, e só o que consegui fazer foi substituir "Quem sou eu?" por "Do que eu gosto?"... Essa é outra pergunta que pode parecer fácil de solucionar. É fácil, quando a satisfação tem que ser dada aos outros. Se você está em seu primeiro dia de aula e lhe são feitas essas duas indagações, a resposta consiste nas primeiras coisas que consegue pensar. Mas tente satisfazer sua própria consciência com as mesmas superficialidades que você conta para terceiros... Esse dilema pode, aliás, se dar justamente por causa desses tais terceiros. Será coinicidência que as coisas que nós gostamos de fazer combinam tanto com as coisas que fazem os outros pensarem bem de nós? Ou será que não é apenas fruto do acaso, e fazemos coisas pelos outros, e não por nós mesmos? Nós vivemos como vivemos pelo bem da visão que o outro tem de nós, ou pela nossa própria? Fazemos algo de "errado" quando queremos que pensem mal de nós, ou algo "bom" quando é para sermos aceitos? Vamos para a faculdade porque achamos que lá estará o aprendizado essencial para vivermos da maneira como nós, indivíduos, realmente gostaríamos? Ou será mais um clichê da existência? Vestimos roupas caras porque gostamos, ou porque gostamos que os outros nos vejam as usando? As coisas que você gosta de fazer, ainda gostaria de fazer se ninguém soubesse que você as faz? Como descobrir se você faz algo por vontade própria? Se a necessidade de contar para alguém que você fez é tão grande, o simples ato de fazer não basta? Como é que algo que nós não nos contentamos apenas em "fazer" pode ser parte intrínseca da nossa personalidade? Enfim. O que importa agora é que ainda não tenho a resposta, e quanto mais eu busco descobrir, mais percebo que nada sei sobre mim mesmo.
Estou com medo, medo de não ser humano, medo de ser diferente de todas as outras correntes, medo das coisas que sei, e medo das coisas que não sei. E também, acima de tudo mais... Estou mais aterrorizado, sobre minha própria existência... É angustiante não saber quem é ou porque e para que vive, e isso acredito que só saberemos na hora de partir...
A dúvida que não quer calar: por acaso a gente se acha algum dia? Compartilho dos mesmos sentimentos que o Renato Baroni. Entrei em uma jornada esse ano de autoconhecimento e me surpreendi com a dificuldade de analisar as conclusões ao meu respeito. As perguntas do tipo "quem sou eu? o que eu realmente quero? o que me faz realmente feliz? do que gosto? o que é essencial?", entre outras, invadiram o meu interior e me deixaram perplexas quando descobri que não tinha muitas respostas. Percebi que tinha muito mais dúvidas do que certezas. Conversei com algumas pessoas mais velhas, e percebi essa trajetória "de se encontrar" dura a vida inteira. Em parte me decepcionei e em parte fiquei aliviada. A vida tem seus enigmas, e o que dá sentido a ela é desvendá-los ao longo da caminhada. Nem sempre precisamos de certezas. Somos inconstantes e mutáveis, um dia queremos sol e no outro, queremos neve. Um dia uma fruta doce e na semana seguinte, uma bem amarga. E por aí vão as contradições. Vai tentar entender? Prefiro viver!
A andreia Coutinho colocou a pergunta "por acaso a gente se acha algum dia?" acho que sim, nos achamos, mas acho que nos achamos muitas e muitas vezes durante a nossa vida. Quando chegamos aos 50 não somos os mesmos que éramos aos 20. A gente muda sempre e a cada mudança, nos vemos perdidos e nos procurando mais uma vez!
Vivemos nessa busca de nós mesmos, nos descobrir, redescobrir. Acho que descobrimos um pouquinho mais de nos mesmos em todas as etapas da nossa vida, pois sempre, seja qual idade for, vamos nos deparar com uma nova situação, uma nova forma de pensar e agir. A nossa vida é um aprendizado constante, cada dia nos conhecemos mais mesmo sem saber. Já pensei muitas vezes em descobrir quem eu sou, o que eu quero, resolver esses dilemas comuns de nossas vidas. Mas percebi que eu nunca terei essa resposta concreta. Concordo muito com o que a Gabriela disse aqui em cima "A gente muda sempre e a cada mudança, nos vemos perdidos e nos procurando mais uma vez!". Mudamos sempre, amadurecemos, nossos conhecimentos aumentam, nós crescemos pessoalmente e profissionalmente, aprendemos com nossos erros e acertos, nossa vivência estimula nossa formação de opinião. A vida é repleta de constantes mudanças sem respostas, e pra mim, essa é a graça da vida, essas constantes buscas, esse vicio do homem querer se descobrir e decifrar enigmas de sua vida, essa é a graça. O que seria da vida se tivéssemos as respostas para todas as nossas perguntas ? O que seria da vida se todos nós soubéssemos quem somos nós ? Acredito que viver é encontrar-se!
Decidi esse ano tentar entender quem eu sou. Não para os outros, mas para mim mesmo. Quero descobrir qual a minha essência, e não o que é pensado a meu respeito.
ResponderExcluirParece simplório, mas não é. Ou sou apenas eu não querendo que seja.
Nessa jornada espiritual, a primeira coisa que fiz foi olhar para minhas ações. Já dizia alguém (que não sou eu) que "você é o que você faz".
Partindo dessa premissa alheia, me encontrei preso em um novo dilema: eu gosto do que faço? Se eu gostar, talvez o que essa pessoa que eu não conheço disse se aplique também a mim.
Por um momento, fiquei feliz de ter chegado até aqui. Parecia ser apenas uma questão de tempo até que as verdades a meu respeito começassem a emergir. Mas aí tudo travou, e só o que consegui fazer foi substituir "Quem sou eu?" por "Do que eu gosto?"...
Essa é outra pergunta que pode parecer fácil de solucionar. É fácil, quando a satisfação tem que ser dada aos outros. Se você está em seu primeiro dia de aula e lhe são feitas essas duas indagações, a resposta consiste nas primeiras coisas que consegue pensar. Mas tente satisfazer sua própria consciência com as mesmas superficialidades que você conta para terceiros...
Esse dilema pode, aliás, se dar justamente por causa desses tais terceiros. Será coinicidência que as coisas que nós gostamos de fazer combinam tanto com as coisas que fazem os outros pensarem bem de nós? Ou será que não é apenas fruto do acaso, e fazemos coisas pelos outros, e não por nós mesmos?
Nós vivemos como vivemos pelo bem da visão que o outro tem de nós, ou pela nossa própria?
Fazemos algo de "errado" quando queremos que pensem mal de nós, ou algo "bom" quando é para sermos aceitos?
Vamos para a faculdade porque achamos que lá estará o aprendizado essencial para vivermos da maneira como nós, indivíduos, realmente gostaríamos? Ou será mais um clichê da existência?
Vestimos roupas caras porque gostamos, ou porque gostamos que os outros nos vejam as usando?
As coisas que você gosta de fazer, ainda gostaria de fazer se ninguém soubesse que você as faz?
Como descobrir se você faz algo por vontade própria? Se a necessidade de contar para alguém que você fez é tão grande, o simples ato de fazer não basta? Como é que algo que nós não nos contentamos apenas em "fazer" pode ser parte intrínseca da nossa personalidade?
Enfim. O que importa agora é que ainda não tenho a resposta, e quanto mais eu busco descobrir, mais percebo que nada sei sobre mim mesmo.
Estou com medo, medo de não ser humano, medo de ser diferente de todas as outras correntes, medo das coisas que sei, e medo das coisas que não sei. E também, acima de tudo mais... Estou mais aterrorizado, sobre minha própria existência... É angustiante não saber quem é ou porque e para que vive, e isso acredito que só saberemos na hora de partir...
ResponderExcluirRenato e Yuri: belas reflexões. Para somar, peço ajuda aos poetas:
ResponderExcluirExistem as coisas sem ser vistas? (Carlos Drummond de Andrade )
A pessoa é feita de real e de ideal. Não há como viver sem fantasia. A fantasia me remete ao real. O peso do real me remete à fantasia. (Mia Couto)
A dúvida que não quer calar: por acaso a gente se acha algum dia?
ResponderExcluirCompartilho dos mesmos sentimentos que o Renato Baroni. Entrei em uma jornada esse ano de autoconhecimento e me surpreendi com a dificuldade de analisar as conclusões ao meu respeito. As perguntas do tipo "quem sou eu? o que eu realmente quero? o que me faz realmente feliz? do que gosto? o que é essencial?", entre outras, invadiram o meu interior e me deixaram perplexas quando descobri que não tinha muitas respostas. Percebi que tinha muito mais dúvidas do que certezas. Conversei com algumas pessoas mais velhas, e percebi essa trajetória "de se encontrar" dura a vida inteira. Em parte me decepcionei e em parte fiquei aliviada. A vida tem seus enigmas, e o que dá sentido a ela é desvendá-los ao longo da caminhada. Nem sempre precisamos de certezas. Somos inconstantes e mutáveis, um dia queremos sol e no outro, queremos neve. Um dia uma fruta doce e na semana seguinte, uma bem amarga. E por aí vão as contradições. Vai tentar entender? Prefiro viver!
Andreia Coutinho - 17hrs
A andreia Coutinho colocou a pergunta "por acaso a gente se acha algum dia?" acho que sim, nos achamos, mas acho que nos achamos muitas e muitas vezes durante a nossa vida. Quando chegamos aos 50 não somos os mesmos que éramos aos 20. A gente muda sempre e a cada mudança, nos vemos perdidos e nos procurando mais uma vez!
ResponderExcluirVivemos nessa busca de nós mesmos, nos descobrir, redescobrir. Acho que descobrimos um pouquinho mais de nos mesmos em todas as etapas da nossa vida, pois sempre, seja qual idade for, vamos nos deparar com uma nova situação, uma nova forma de pensar e agir. A nossa vida é um aprendizado constante, cada dia nos conhecemos mais mesmo sem saber. Já pensei muitas vezes em descobrir quem eu sou, o que eu quero, resolver esses dilemas comuns de nossas vidas. Mas percebi que eu nunca terei essa resposta concreta. Concordo muito com o que a Gabriela disse aqui em cima "A gente muda sempre e a cada mudança, nos vemos perdidos e nos procurando mais uma vez!". Mudamos sempre, amadurecemos, nossos conhecimentos aumentam, nós crescemos pessoalmente e profissionalmente, aprendemos com nossos erros e acertos, nossa vivência estimula nossa formação de opinião. A vida é repleta de constantes mudanças sem respostas, e pra mim, essa é a graça da vida, essas constantes buscas, esse vicio do homem querer se descobrir e decifrar enigmas de sua vida, essa é a graça. O que seria da vida se tivéssemos as respostas para todas as nossas perguntas ? O que seria da vida se todos nós soubéssemos quem somos nós ?
ResponderExcluirAcredito que viver é encontrar-se!