quinta-feira, 22 de março de 2012

Cultura não é Educação.


Definitivamente ter educação não é ler, escrever, fazer contas e muito menos dar respostas supostamente certas sem questionar o interesse real das perguntas. 


Educação não é receber receitas prontas e executá-las com seu tempero. Independente do quão bem isso possa ser feito. Muito menos conhecer a história, distorcida de seus fatos na esmagadora maioria dos casos. 



Pedro Álvares Cabral não descobriu o Brasil. Osama Bin Laden não foi o grande arquiteto do 11 de setembro.



O objetivo da educação é mudar pensamentos, sentimentos e ações. Se eliminamos os valores mais profundos do ser humano inserindo apenas culturas e procedimentos limitadores que desestimulam a pesquisa e o questionamento, vamos continuar investindo na ampliação de leitos hospitalares ao invés de aplicar recursos em um processo criativo e inteligente de evitar que as pessoas adoeçam.



Educar é tirar do escuro para o claro. E não do escuro para a meia luz.



É muito importante cultivar algumas tradições coletivas. Isso faz parte do processo natural de evolução da nossa espécie. Mas pensar como manada, virar cardume, é o mesmo que enfiar o cérebro humano numa lata de sardinha e jogar fora o abridor.



É missão do “professor de espanto”- como diz o mestre Rubem Alves, e como sugere o poeta Manoel de Barros – fazer com que possamos perceber a grandeza das coisas e a força infinita do que parece insignificante.



É preciso observar sem interferir e ao mesmo tempo fazer objeções. Nenhum organismo, nenhuma máquina sobre a superfície desse planeta tem o potencial do cérebro e do coração de cada criança, cada homem, cada mulher. Como diz Maiakoviski, “gente é para brilhar”. 



Sendo assim, é preciso urgentemente que as artes em geral sejam incentivadas com a força de um sol. Talvez um segundo sol. Nibiru e Nando Reis que o digam.



Poesia, música, artes plásticas, teatro, literatura, fotografia, cinema. Todas as artes que libertam a grandiosidade do ser precisam estar no currículo escolar com a mesma importância da matemática e das línguas, do feijão e do arroz. 



Nossa crise humana não advém do talento individual e sim do uso inadequado de nossas potencialidades.  Artes nas escolas já!



É hora de começar a fazer diferentes escolhas. Qual vai ser a sua? Viva o lado direito do cérebro. Viva a dissidência de todas as artes. Principalmente a do ser.

7 comentários:

  1. Pensar e, principalmente, repensar a educação é algo que já está passando da hora de ser feito no Brasil. Incluir a arte na grade escolar não deveria ser nenhum bônus, ou extracurricular, mas sim tão necessário quanto a biologia, por exemplo. O homem também é feito de arte e expressão, então porque excluir isso da formação das pessoas?

    Nathália Oliveira

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  2. Concordo totalmente com o texto, mas simplesmente colocar aulas de teor artístico nas escolas não é a solução. Pela mesma linha de pensamento de educação ser diferente de cultura, ter uma aula é diferente de que algo será ensinado.

    Os responsáveis por esses programas devem ler esse texto e utilizar essas matérias de forma adequada. Hoje, por exemplo, escolas que dão aulas assim, dão 2 ou 3 matérias do gênero, sendo 1 por ano e 2 horas por semana. Enquanto matemática você tem do jardim 0 até o vigésimo nono grau e 15 tempos ao dia, essas matérias se tem 1 ano, 5 minutinhos e olhe lá.

    Falo por experiência própria em aulas que tive de filosofia e história da arte. O método adotado pelos colégios inferioriza essas matérias de tal modo, que ao invés de incentivarem seus estudos, servem para inferioriza-las diante das "fundamentais" ou "mais importantes".

    Quando cheguei nesse colégio, uma das primeiras coisas que me falaram foi "história da arte não reprova". Sabe por que falaram isso? Porque não reprova mesmo. São matérias complementares, sem valor.

    Óbvio que não dá para montar a mesma grande de uma aula de teatro e português e ensinar a dramaturgia em todos os anos escolares, mas se isso vai ser feito somente em um ano, que seja direito.

    Pode se dar tal aula uma vez, mas que dessa vez a sua carga horária e importância sejam iguais as das outras matérias "famosas" e assim sendo, podendo ter uma real utilidade. Além disso, essa modalidade de ensino deve começar desde cedo, talvez por volta dos 10 anos ( quinta série) e não dos 16 como foi o meu caso ( primeiro ano).

    A mudança tem que ser primeiro de quem vai causar a mudança.

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  3. A verdade é que somos ensinados a pensar dentro da caixinha a vida inteira. Preparados para empregos. Nos ensinam que as coisas funcionam assim no sistema. Vc se encaixa ou é excluído. A opção da mudança é descartada. A arte, considerada menor.
    Esse sistema de assistir (assistir, nunca participar) aula pra fazer prova é a maneira mais eficaz pra transformar os alunos em ovelhas de rebanho. Não se incentiva a discussão, a crítica. E assim o brasileiro continua aceitando tudo o que lhe é imposto, reclamando, falando mal do político, e não fazendo nada pra mudar. O sistema é cruel.

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  4. Conheço inúmeras pessoas que conseguem dissertar sobre todos os assuntos, mas são julgadas como burros, pois não tem vontade de se encaixar nesse mundo onde estar dentro de certo padrão, imposto pelo sistema, é mais importante do que qualquer outra coisa. Em contrapartida conheço pessoas formadas que são praticamente analfabetos funcionais, não sabem se comunicar. Como dizia Einstein "Todo mundo é um gênio. Mas se você julgar um peixe pela sua habilidade de subir em árvores, ele viverá o resto de sua vida acreditando que é um idiota."

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  5. Enquanto as escolas particulares tratam o aluno como um número, uma matrícula, as escolas públicas tratam-o como um estorvo, algo sem importância.
    São poucas as escolas, sejam pagas ou não, que formam pessoas, indivíduos, cidadãos.
    O ensino não deveria ser apenas conteúdos e mais conteúdos, mas também lições de vida.

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  6. Educação muito é mais do que se aprende nos livros! A arte contribui e muito para a mudança do olhar das pessoas para o mundo. Um olhar que requer sensibilidade. Que só aqueles tocados pela arte pode perceber e apreender.

    Educação de verdade envolve muito além de tudo isso. Antes fosse somente dar importância às artes num colégio, ao lado das demais disciplinas. Mas não é. É preciso o básico, na maioria das escolas de nosso país.

    Nao é a toa que segundo o último senso do IBGE, que o professor é o profissional graduado, que recebe os mais baixos salários. Claro! Quem se importa com a educação aqui? "Bobo quem procura tais cursos"! Dizem uns por aí.

    Mas também não é só isso. As condições de trabalho são precárias. Colégios com estruturas precárias, como os de Manari. Sem refeições decentes, sem carteiras, quadros e instalações em péssimas condições. Desvio de verbas e sucateamento da educação é o que resume o bem mais importante de qualquer nação: o conhecimento. Vivemos num país que a preocupação maior é a NÂO consciência.

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  7. Victoria Zanettidomingo, junho 16, 2013

    Com licença, mas nas escolas mais do que números, retas, pontos, mapas, letras e verbos... Cadê a arte? A arte da poesia, da música, do teatro, da pintura... Sim. A arte está em tudo. Mas em tudo falta arte. E cadê?

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