terça-feira, 18 de outubro de 2011

Saber pensar.

"Aprender é a maior prova de maleabilidade do ser humano, porque, mais que adaptar-se à realidade, passa a nela intervir. Sendo atividade tipicamente reconstrutiva de tessitura política, é também a maior prova do sujeito capaz de história própria. Saber aprender é fazer-se oportunidade, não fazer oportunidade. Deixa-se de lado a condição de massa de manobra, objeto de manipulação, para emergir como ator participativo, emancipado.
Retomamos aqui o sentido de autonomia, que precisa ser todo dia conquistada e reconstruída. (...)
Na verdade evita-se estudar. Estudar significa dedicar-se a atividade sistemática de estilo reconstutivo, com base em constante elaboração própria, lendo autores para nos tornarmos autores. Não é absorver passivamente conhecimento alheio, muito menoscolar”. Estudar para a prova é o que há de menos importante na sala de aula, porque retrata artificialidade total as situações concretas da vida. Nem adianta inventar prova com consulta, porque ainda é prova. Faz-se necessário afastar a prova e avaliar de outros modos, sobretudo acompanhando a produção constante de conhecimento, com devida orientação  e tendo o aluno sempre o direito de refazer enquanto houver tempo hábil. Ao mesmo tempo, estudar implica outra forma de ler. Trata-se contra-ler, no sentido de saber questionar o autor, interpretar seus argumentos centrais e refazê-los com mão própria, compreender seu contexto e suas bases teóricas e metodológicas, passar por dentro do livro e não pelas orelhas. Não se faz isso com todo livro, mas com aqueles que são centrais para a nossa aprendizagem. Ao ler um livro, é fundamental fazer-se sujeito,  porque lemos autores para nos tornarmos autores.”
Pedro Demo   Arte: Lacey Terrel   Da série vale a pena ler de novo.

25 comentários:

  1. Um pouco do que você vem sempre falando pra gente, alunos. Concordo, é tão mais importante esse tipo de trabalho do que apenas decodar. Muito mais prazeroso também.

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  2. Esse texto tem tudo a ver com as nossas aulas, nossas conversas. Como a Luiza disse, é um pouco do que você vem nos dizendo. Estudar é algo constante, estuda-se lendo, criando, ouvindo, escrevendo e até mesmo pensando. Uma prova não mede o conhecimento de alguém, pelo menos na minha opinião. O que faz a pessoa crescer no aprendizado são as formas diferentes com que realiza-se cada tarefa. A prova pode não ser a melhor forma de absorver o conhecimento, às vezes o novo, o que foge do cotidiano pode ajudar muito mais no crescer de cada um; além disso, o nervosismo e a tensão lerdam o conhecimento, uma característica própria dos praticantes de uma prova onde o decorar e o colar têm sobressaído diante do estudo de verdade, onde as informações são absorvidas e guardadas na memória!

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  3. Aprender de verdade é muito mais do que atestar numa prova aquela determinada matéria.É preciso ter o conteúdo de maneira absorvida não simplesmente decorada.Sempre achei que prova não prova nada porque avaliar um aluno pelo seu mérito num dia é muito ruim já que se o professor não se aproxima o suficiente do aluno e não o conhece a fundo sem saber então quem realmente é essa pessoa.

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  4. Estudar está sendo muito chato, falta motivação dos professores e dos alunos. As aulas são velhas, enfadonhas, cansativas para os nativos digitais. Não é desculpa, é desabafo, tá Luiz?

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  5. Esse texto diz tudo e eu tive muita sorte em escolher fazert Tec.2 com você.
    Estudar é muito mais do que conhecer a visão de um ou mais autores. O importante é entende-las e analisa-las para desenvolvermos a nossa própria forma de pensar.
    Nas suas aulas eu exercito muito isso. Estou me libertando das barreiras que eu mesmo imponho para mim.
    Obrigada por isso, Luiz. De verdade.

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  6. Não quero ter informação, quero aprender. É diferente. Pensamento livre e criativo. (li no caligraffiti e achei q tinha tudo a ver)
    ;)

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  7. Mas mesmo assim acho o estudo muito importante. Sem o conceito não há a criação. E graças a diversos estudos podemos saber de diversos assuntos e ,aí sim, nos tornarmos os autores. Ainda acho que a arte de aprender está diretamnete relacionada com a arte de ensinar.

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  8. O autor fala sobre ler autores para nos tornamos autores, mas nem só em livros existe texto. Como você sempre diz, tudo é texto. Percebendo até o que acontece ao nosso redor, podemos formar opniões. Me lembra a coletiva do técnico Dunga que disse que para entender se algo com a ditadura é bom ou ruim teriamos que viver nessa época. Péssima escolha de palavras. Temos que aprender a ler o mundo, entende-lo, imagina-lo e, ao fim de tudo isso, contempla-lo, pois é algo lindo.

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  9. Oxalá, que belo post! É no encruzilhado caminho do aprender que erguemos a destreza do alçar de vôo das borboletas de nossas almas. É nele também que erigimos os espetos que podem imobilizar nossos sonhos borboletas.

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  10. Sou da opinião que o estudo forçado, aquele que temos que decorar matérias para provas, não funciona. Pois a pressão psicológica é um fator que prejudica no aprendizado. Ser forçado a aprender é pior do que não aprender. O importante é o aluno correr atrás daquilo que ele realmente gostaria de aprender, é claro, com a ajuda do professor para guiá-lo.

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  11. Andressa Rodriguesquarta-feira, maio 12, 2010

    Nossa! Lendo esse texto eu só consigo lembrar de você passando isso pra gente durante todas as aulas, reforçando essa idéia de ser autor. É tão difícil deixar de ser quadrado de uma hora pra outra, nos forçaram a ser assim durante todos os anos de ensino e ainda nos forçam. Acho que a grande maioria só teve essa experiência de "criar" com você Luiz. Espero que seja só o começo!

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  12. Queridos autores: fico feliz com o encantamento. Mas é pouco. Quero acompanhar cada um na criação dos projetos propostos. Podemos voar mais alto? Podemos. Então vamos.
    =)

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  13. O conteúdo vem de várias formas, aprender tem seus mecanismos e acredito que seja infinito. Pois seria muito egoísmo e injusto pensar que a vida e seus ensinamentos venham apenas dos livros ou outros meios limitados.
    O aprendizado não tem forma definida, não está preso no tempo e nem possui moradia definitiva, o apredizado é emprestado e volta ao dono original quando dobramos a curva da vida.

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  14. carlos eduardo mc courtneydomingo, maio 23, 2010

    Uma bela argumentação para o nosso estilo de aula, e avaliação. É uma ideia bonita... mas eu acho que é mais dificil colocar em prática do que parece. mas saber lidar com as limitações nao é nada mais do que uma aprendizagem

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  15. e muito legal esse texto...

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  16. Estou a repescar postagens que possam iluminar o G2 de vocês. Temos uma semana para fechar as apresentações dos projetos de comunicação social.
    Pronto, já estou com saudades.
    =)

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  17. "Ao ler um livro, é fundamental fazer-se sujeito, porque lemos autores para nos tornarmos autores." Essa frase resume muito bem esse texto. Ao ler aquele importante livro para nossa construção de aprendizagem é preciso saber tirar todas as possibilidades de conhecimento dele. Mas ao mesmo tempo saber questionar as informações. Não podemos é acreditar em tudo que vemos, lemos, sem antes saber se aquilo é uma verdade. Adorei o texto.

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  18. Mariana Broitmandomingo, junho 05, 2011

    Boa!
    Pensando nas salas de aula, só no fundo professores e alunos sabem o que é ou não BEM aprendido e absorvido em sala de aula - porque é o inconsciente que absorve, e não o lado mais externo de nossas mentes decorando e "superficializando" o máximo possível para uma boa prova. E professores sabem disso também, pois observam.
    O bom aprendizado vem da prática, somente dela. O resultado é tão suave que nem percebemos: quando nos deparamos com situações inusitadas, temos aquilo que foi aprendido como uma saída, um parâmetro para solucionar problemas. Não é tão impossível quanto a maioria das pessoas acredita, a maneira como você desenvolve a nossa matéria é a prova viva disso. Puro exercício do cérebro: nos colocar nas situações, nos imaginar, nos projetar... Quando encontramos bons "autores" munidos de boas aulas, vivenciamos tudo isso a que me refiro no laboratório da vida real, que é a sala de aula, e acabamos saindo prontos para muito mais do que imaginávamos.

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  19. Favilla, por favor encaminhe esse texto ao Departamento. Nosso curso precisa ser revisto. Professores mais didáticos. =D

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  20. Acho que na escola e na universidade, muitaz vezes, acabamos passando batidos pelo "criar em cima do já criado", que põe em evidência duas atividades diferentes e complementares: o compreender e o pensar. Em muitos casos, isso tudo é substituído por "aprender". Há professores que inclusive fazerm o preguçoso jogo de palavras com "apreender", como se pudessemos "trancafiar" autores e conceitos dentro de nossas mentes e deixá-los guardados ali, frios, esperando para nunca serem usados. De que adianta ter uma tonelada de ouro no armário se nunca vou tirá-lo dali, nunca vou fazer algo bom com aquela riqueza? É preciso que tiremos nosso "ouro" do armário, e, nesse caso, é muito bom contar com professores que nos estimulem a investir e multiplicar todas as habilidades e conhecimentos que já temos.

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  21. Aprender é adquirir conhecimentos e experiências que até então não faziam parte do seu consciente. Por isso, aprender é bem diferente de repetir, decorar, memorizar, pelo contrário, quando você aprende você se liberta de um estado temporário de ignorância e passa a compreender e entender tal causa.
    não se aprende por imposição, nem com autoritarismo, e também não há um tempo determinado, cada um aprender no seu tempo e de acordo com a sua necessidade.
    Sendo assim, para que o outro aprenda o que estamos querendo passar é necessário faze-lo entender do quanto será importante e acrescentará alguma coisa em sua vida se ele se permitir a aprender uma informação com você.

    Fora o autoritarismo, fora exames e provas. Aponte caminhos e deixe que o próprio sujeito faça a sua escolha, depois ofereça-lhe um feedback para que você saiba se sua orientação teve alguma importância para o sujeito.

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  22. Precisava urgente ler um texto como esse, já que tudo falado no texto é exatamente o que eu pensava ontem na vespera de uma prova INSUPORTAVEL de políticas públicas.
    A leitura de leis e regrinhas burocraticas para fazer uma provinha,ao melhor estilo Direito, estava quase me matando.
    Para completar o Botafogo perde -Muito triste pra nós Favilla-,e hoje -dia da prova- chego em sala e dou de cara com um sala super arrumada: com carteiras separadas, professor fiscal e questões pegadinhas. Essa não era minha visão sobre a Academia.

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  23. Maria Clara Frassosábado, outubro 22, 2011

    Quantas vezes somos submetidos a provas idiotas e a assuntos em que não é necessário o mínimo raciocínio? Fico revoltada, mas como você mesmo me disse "temos que nos adequar". Obviamente sempre fazendo o possível para ler o mundo, para sair da caixinha. É impossível se revoltar totalmente contra o mundo e seus métodos, mas sempre podemos dar um jeitinho, né?

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  24. João Victor Fiuzadomingo, abril 15, 2012

    Concordo com a ideia de que provas que te forçam a apenas decorar e não a aprender são pra mim, um modo de pensar já muito antigo e ultrapassado, ainda mais para um curso como Comunicação. Exames nos quais o aluno decora tudo, mas que minutos depois da prova já não lembra de mais nada não nos servem. O ideal seria buscar mais meios de examinar o que o aluno sabe e o que ele aprendeu sem precisar de provas monótonas e entediantes. Um livro lido com gosto pode te ensinar muito mais do que uma prova forçada, só vai depender de como absorvemos e nos tornamos autores da informação.

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